Canva lança AI 2.0 para centralizar trabalho e integrar ferramentas
*LOS ANGELES — Quando o Canva foi lançado em 2013, a proposta era tornar o design acessível a quem nunca havia usado ferramentas profissionais. Treze anos depois, a empresa amplia esse escopo e passa a mirar o trabalho digital em sua totalidade.
Em evento realizado em Los Angeles, nesta quinta-feira, 16, a companhia apresentou o Canva AI 2.0, atualização descrita pela empresa como a maior mudança desde a migração do desktop para o navegador. O movimento marca a tentativa de posicionar a plataforma como camada central das operações de equipes.
A base global da empresa soma mais de 250 milhões de usuários mensais, distribuídos em 190 países. O novo sistema entra em fase de research preview para o primeiro 1 milhão de usuários a partir desta semana.
A estratégia parte da fragmentação do ambiente de trabalho. Profissionais utilizam múltiplas ferramentas (como Slack, Gmail, Google Drive, Zoom e Notion) para reunir informações antes de produzir conteúdo.
O objetivo, segundo o Canva, é que a nova ferramenta conecte esses sistemas e execute tarefas no próprio site, sem que o usuário precise deixá-lo para conseguir trabalhar. Entre as novidades estão a geração de atas a partir de reuniões, a transformação de e-mails em propostas comerciais e a criação de newsletters com base em conversas internas.
“Facilitar as coisas sempre foi o que nós queríamos, mesmo antes de o Canva ser criado. Antes de ser Canva, éramos chamados de Canva Chef. O que estamos propondo agora é tudo que for possível em apenas um lugar. Queremos ser uma plataforma que une tudo o que as pessoas precisam para trabalhar”, diz Cameron Adams, cofundador e Chief of Product Officer do Canva.
As novidades do Canva
O modelo é estruturado em quatro capacidades. O design conversacional permite criar layouts completos a partir de comandos em linguagem natural, mantendo o contexto ao longo da sessão.
A orquestração agêntica coordena ferramentas internas para transformar objetivos em entregáveis em diferentes formatos, a partir de uma única interação.
A inteligência por objeto possibilita edições específicas sem impacto em outros elementos do design, mantendo os componentes em camadas editáveis.
Já a memória persistente registra preferências, estilos e padrões, ajustando automaticamente as sugestões ao longo do tempo.
"A escala não acontece da noite para o dia. O Canva sempre foi uma ferramenta feita para humanos, tudo que você faz precisa de trabalho manual, mas hoje estamos em um mundo de ferramentas e habilidades. Você precisa conseguir fazer tudo além de criar uma base de memória nos apps”, afirma Cliff Obrecht, cofundador e Chief Operation Officer da empresa.
O sistema incorpora recursos de automação para tarefas recorrentes. É possível configurar execuções em segundo plano, inclusive com o usuário offline.
Uma das novidades é a geração automática de conteúdos para redes sociais, com adaptação por canal e tradução para múltiplos idiomas.
A funcionalidade Web Research insere informações externas diretamente em documentos, estruturando dados prontos para edição.
O Brand Intelligence garante que todos os materiais sigam automaticamente diretrizes visuais, aplicando fontes, cores e estilos definidos pela empresa.
O Canva Code 2.0 permite criar experiências interativas a partir de descrições textuais. A atualização inclui importação de HTML, que pode ser editado visualmente sem necessidade de reescrita.
Formulários podem ser conectados ao Canva Sheets, e conteúdos podem ser publicados com autenticação SSO.
Outra nova ferramenta irá alterar os templates com a IA. Com a novidade, o usuário poderá usar um template já existente, selecioná-lo como inspiração, fazer o upload de imagens, dar o contexto e, assim, criar um novo design.
"Como humanos, somos criaturas visuais. E às vezes não conseguimos identificar o que gostamos até ver. E isso vai facilitar isso", diz Obrecht.
O campo de batalha
O lançamento do Canva entra na disputa por plataformas unificadas de produtividade, ao lado de Microsoft, Google e Notion. A proposta é consolidar ferramentas, dados e execução em um único ambiente.
A diferença está na origem: enquanto concorrentes partem de texto e planilhas, o Canva avança a partir do design para estruturar fluxos completos de trabalho.
Em 2026, a empresa atingiu valuation de US$ 49 bilhões, ante US$ 26 bilhões em 2021, com receita anual acima de US$ 2,5 bilhões e presença em 95% das empresas da Fortune 500.
Fundada em 2013 em Perth por Melanie Perkins, Cliff Obrecht e Cameron Adams, a companhia mantém capital fechado. A plataforma surgiu a partir de soluções para anuários escolares e evoluiu para um modelo freemium, com atuação global.
*A jornalista viajou a convite do Canva
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