Carne, etanol e menos tarifas: o que o agro espera do encontro entre Lula e Trump
O agronegócio brasileiro está com as atenções voltadas para o encontro dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do Brasil, e Donald Trump, dos Estados Unidos. A reunião entre os líderes deve acontecer nesta quinta-feira, 7. Entre os temas da agenda, a indústria de carne bovina pediu ao governo que inclua na pauta uma readequação da cota de exportação de carne bovina do Brasil ao país.
Atualmente, o Brasil utiliza uma cota conjunta, com outros países, e pode exportar cerca de 50 mil toneladas com tarifa reduzida. Fora da cota, incide tarifação de 26,4%, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).
Com a oferta restrita de gado nos Estados Unidos, o país vem importando volumes crescentes de carne bovina do Brasil, mesmo fora da cota.
O volume de 50 mil toneladas dentro da cota foi embarcado no primeiro mês do ano, segundo Roberto Perosa, presidente da Abiec. De janeiro a março deste ano, as importações de carne dos EUA pelo Brasil cresceram 13,4% em relação ao mesmo período de 2025, somando 107 mil toneladas, segundo dados da Abiec.
O encontro entre os líderes ocorre em um momento de pressão da indústria por novos mercados e maior previsibilidade nas exportações, uma vez que a China, principal destino da proteína brasileira, impôs limites à compra de carne bovina do Brasil e de outros países.
Os dois presidentes acertaram fazer uma reunião para discutir a relação bilateral. A agenda prevê uma reunião de trabalho de manhã, mas o encontro pode se prolongar até a tarde, segundo apurou a EXAME. A expectativa é de que Lula volte ao Brasil imediatamente após a reunião com Trump.
Etanol e Seção 301
Além da carne, o etanol brasileiro e a chamada Seção 301 também devem entrar na pauta do encontro, já que os Estados Unidos podem impor novas tarifas ao Brasil com base nessa legislação.
Em julho do ano passado, o governo americano abriu uma investigação fundamentada na Seção 301 para apurar possíveis práticas desleais do Brasil no comércio bilateral, em áreas como propriedade intelectual, sistema bancário — com destaque para o Pix — e produtos agrícolas, como carne e etanol.
Caso a investigação conclua que o Brasil adotou barreiras consideradas abusivas, os EUA poderão aplicar novas tarifas ao país. A expectativa de analistas que acompanham o tema é que uma decisão seja anunciada ainda em maio.
“Tudo que mitigar esses riscos de novas tarifas é muito bem-vindo. Precisamos ter um excelente encontro entre os dois presidentes, com equipes de negociação que tenham uma agenda clara e busquem um acordo bilateral”, diz Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Segundo ele, um eventual acordo bilateral com os EUA pode proteger o Brasil contra novas tarifas. Para o executivo, a expectativa é de que o encontro avance nessa direção. Os EUA são o segundo principal destino do café brasileiro, com 936.617 sacas importadas no primeiro trimestre de 2026.
“Nós vemos isso como muito positivo, esse diálogo precisa ocorrer. Um acordo bilateral nos protege contra futuras tarifas, preserva a lista de exceções que temos hoje — e que buscamos ampliar — e também resguarda o país diante de novas denúncias e investigações”, afirma.
No caso do etanol, o produto brasileiro está na mira de Trump por causa da política de tarifas recíprocas. No ano passado, o presidente americano acusou o Brasil de taxar o etanol dos EUA em 18%, enquanto os americanos cobram apenas 2,5%.
Trump considera essa diferença uma desvantagem comercial para os produtores dos Estados Unidos — especialmente os de milho, que formam uma base importante de apoio — e defende a equiparação das tarifas.
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