'Carta fora do baralho': Conselheiro explica por que a IA virou ferramenta de sobrevivência
O avanço da inteligência artificial generativa reposicionou o debate sobre a tecnologia nas organizações: ela deixou de ser uma pauta exclusiva dos departamentos de TI para se transformar em um elemento crítico de sobrevivência para a alta liderança.
No topo das corporações, quem não dominar os impactos estratégicos dos algoritmos corre o risco real de obsolescência rápida, independentemente do tamanho do currículo ou dos anos de experiência acumulados.
Ygor Moura, presidente do conselho de administração da Espaçolaser, compartilhou como sua visão sobre a tecnologia mudou radicalmente ao ingressar no PIACC (Programa de Inteligência Artificial para C-levels, Conselheiros e Acionistas), desenvolvido pela Saint Paul. Mais do que otimizar processos internos, o executivo defende que a inteligência artificial tornou-se uma lente essencial para enxergar o futuro da governança, dos mercados e da própria sociedade.
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A nova engenharia da liderança sênior
Um dos grandes insights que a imersão executiva trouxe para o conselheiro foi a transformação imediata nas estruturas organizacionais e de recrutamento.
Na visão de Ygor, a IA vai atuar como o primeiro grande filtro de eficiência operacional, redesenhando a forma como os comitês e conselhos analisam o capital humano — um reflexo direto de disciplinas do programa voltadas para a cultura de dados e a IA nos Conselhos.
"A grande mudança na minha cabeça foi entender o papel da IA no recrutamento. No futuro, teremos um mega time [de IA] fazendo a triagem inicial e depois um filtro muito mais seleto com líderes seniores reais. Se tiver que passar por um ser humano, será no topo", prevê o conselheiro.
Essa disrupção exige que os profissionais em posições de tomada de decisão dominem a face estratégica dos algoritmos, mesmo que não atuem diretamente nas áreas técnicas, administrativas ou de marketing das companhias.
Uma tecnologia de propósito geral: para a vida, não apenas para a carreira
Questionado se a imersão na inteligência artificial abriu novos horizontes ou redirecionou suas ambições profissionais, o executivo de 52 anos trouxe uma reflexão mais profunda.
Para ele, o impacto da IA transcende as métricas tradicionais de ascensão corporativa e se consolida como o que os especialistas chamam de General Purpose Technology — uma tecnologia de propósito geral que afeta todos os setores de forma transversal, assim como foram a eletricidade e a internet.
O executivo destaca que a IA será tão intrínseca ao cotidiano quanto recursos vitais ou ferramentas básicas de comunicação:
Ubiquidade Tecnológica: A inteligência artificial será integrada à rotina da mesma forma que o ar, a comida e os smartphones estão integrados hoje.
Impacto Multissetorial: A transformação vai redefinir profundamente os modelos educacionais na criação dos filhos, o diagnóstico e a precisão na medicina e os laços de socialização humana.
Fator de Inclusão: A atualização contínua é o único caminho para não ser descartado pelo mercado. "Se você não estiver por dentro da IA, vai ficar obsoleto e virar uma carta fora do baralho", alerta.
A lição que fica para o ecossistema de negócios em 2026 é clara: o letramento em dados, cibersegurança e ética algorítmica não tem idade e nem linha de chegada.
Ao buscar a atualização acadêmica de nível avançado no PIACC, Ygor exemplifica o perfil do conselheiro moderno — aquele que compreende que o verdadeiro papel da liderança e do board não é resistir à mudança, mas sim antecipá-la para manter a organização competitiva no tabuleiro global.
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