Cartão corporativo que recusa compras fora das regras vai fazer fintech movimentar R$ 500 milhões

Por Bianca Camatta 12 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Cartão corporativo que recusa compras fora das regras vai fazer fintech movimentar R$ 500 milhões

A fintech Conta Simples nasceu em 2019 com a proposta de simplificar a gestão financeira de pequenas e médias empresas. Agora, a aposta da fintech está nos cartões inteligentes, com configurações estabelecidas pela empresa e limitação de transações fora do configurado.

A solução, lançada em oficialmente em 2026, mas incorporada às demais soluções no último ano, já é uma das principais frentes da empresa. Dos R$ 25 bilhões movimentados no último ano, R$ 5 bilhões vieram do modelo inteligente.

“É a partir do cartão que conseguimos integrar pagamentos, software, automação e crédito em uma única experiência. Isso aumenta a recorrência de uso da plataforma, aprofunda o relacionamento com os clientes e fortalece nossa posição como infraestrutura financeira das PMEs”, diz Rodrigo Tognini, CEO e cofundador.

Até 2030, o objetivo é atingir R$ 500 bilhões em pagamentos corporativos. A estratégia passa pela expansão do Cartão Inteligente e o avanço da presença da inteligência artificial nas plataformas da fintech.

Como surgiu a Conta Simples

Antes de fundar a Conta Simples, Tognini apostou em uma empresa de pagamento via QR Code, que acabou não indo para a frente. “Embora o negócio não tenha avançado, a experiência deixou muito claro para nós o quanto o relacionamento dos grandes bancos com as pequenas e médias empresas ainda era burocrático, lento e pouco conectado com a realidade do empreendedor”, diz.

A partir disso nasceu uma nova ideia: facilitar a gestão financeira de PMEs. A fintech foi fundada em 2019, ao lado de Fernando Santos e Ricardo Gottschalk.

A plataforma criada une conta digital PJ, cartões corporativos e software de gestão de despesas em um único ambiente.

“Começamos de forma bastante enxuta, operando com recursos próprios e utilizando espaços como a biblioteca do Insper”, afirma Tognini.

O primeiro momento de tração veio em 2020, quando os empreendedores apostaram no atendimento de negócios digitais e startups. Naquele mesmo ano, participaram do primeiro programa de aceleramento.

Em 2023, a fintech atingiu o breakeven e transacionou R$ 18 bilhões. Em 2025, foram R$ 25 bilhões em volume transacionado, com crescimento de 53% na receita anual. “Estimamos que nossos clientes economizaram mais de 430 mil horas em atividades operacionais, com uma economia de R$ 47 milhões para o caixa dessas empresas.”

Os principais desafios estiveram na construção de um produto financeiro robusto em um mercado altamente regulado e ainda em transformação no Brasil. Além disso, houve o desafio de conquistar a confiança dos clientes.

“Quando uma fintech ainda jovem tenta convencer o CFO de uma PME a substituir uma relação construída há décadas com bancos tradicionais, a resistência é natural”, afirma Tognini.

Outro obstáculo foi a mudança cultural dentro das companhias brasileiras, ainda muito dependentes de processos financeiros manuais e descentralizados.

Cartão Inteligente

Com o desenvolvimento do cartão inteligente, a Conta Simples aposta no controle financeiro antes da aprovação de gastos ou pagamentos e pela personalização do cartão pela empresa.

“No modelo tradicional, muitas empresas ainda operam com cartões compartilhados e processos de conferência feitos apenas depois da despesa acontecer, normalmente via planilhas, reembolsos e auditorias manuais. O que fizemos foi inverter essa lógica”, afirma.

Na prática, o cartão nasce configurado com regras de cada empresa, com quem pode usar, limites de valor, horário e dias e recusa de transações fora da política configurada. “Isso transforma o cartão em uma extensão da política financeira da empresa, automatizando governança e reduzindo erros operacionais”, diz Tognini.

O cartão também se conecta à tecnologia de gestão de despesas, permitindo acompanhamento em tempo real e checagem de relatórios elaborados por inteligência artificial.

“O Cartão Inteligente representa a consolidação da nossa visão de mercado de tornar a gestão financeira inteligente um processo simples e acessível para as empresas”, afirma.

Embora o conceito de Cartão Inteligente tenha sido oficialmente apresentado ao mercado em 2026, a arquitetura e a lógica operacional da solução já vinham sendo utilizadas pela base de clientes ao longo de 2025 dentro da frente de cartões corporativos da fintech. Por isso, parte relevante do volume transacionado no último ano já aconteceu dentro desse modelo, agora consolidado sob um novo posicionamento estratégico da Conta Simples, acompanhado de campanha e reforço das funcionalidades de gestão inteligente.

No primeiro semestre de 2025, a emissão de novos cartões cresceu 140% na empresa. Dos R$ 25 bilhões movimentados pela Conta Simples no último ano, cerca de R$ 5,5 bilhões já passaram especificamente pelo modelo de pagamentos realizado com os Cartões Inteligentes. Esse avanço também impulsiona outras frentes da companhia, como crédito e software.

Rumo ao meio trilhão

Para chegar ao marco de R$ 500 bilhões movimentados até 2030, a Conta Simples espera expandir os cartões inteligentes. “Hoje, já temos cerca de 2,5% de market share no segmento de cartões corporativos no Brasil, um mercado ainda extremamente pulverizado e com enorme espaço para digitalização”, diz Tognini.

Outro foco está no avanço da inteligência artificial nas plataformas da Conta Simples, o que garante maior eficiência aos clientes.

“Queremos que mais tarefas operacionais do financeiro sejam executadas por IA, desde categorização de despesas até emissão de cartões, consultas financeiras e geração de insights em linguagem natural”, afirma.

Dentro da vertical de IA, por exemplo, a Conta Simples lançou neste ano um servidor MCP (Model Context Protocol), que conecta o financeiro corporativo diretamente ao Claude, IA da Anthropic.

“A solução reduziu em até 90% o tempo de fechamento financeiro mensal, cortou etapas manuais de conciliação de sete para duas e gerou uma economia de cerca de 120 horas operacionais por mês para as equipes financeiras”, diz Tognini.

Com isso, a fintech espera aumentar a possibilidade de usos entre os clientes – uma das maneiras de crescer.

“Nossa ambição de longo prazo é transformar a Conta Simples no padrão de uso das PMEs no Brasil”, diz.

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