Casa Branca defende stablecoins em relatório e diz que não prejudicam crédito

Por Ricardo Bomfim 9 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Casa Branca defende stablecoins em relatório e diz que não prejudicam crédito

A Casa Branca publicou nesta quarta-feira, 8, um estudo no qual conselheiros econômicos dizem que a oferta de rendimento em stablecoins não prejudica substanciamente o crédito. Hoje, o principal entrave para a aprovação do projeto de regulamentação de criptomoedas dos Estados Unidos (Clarity Act) é a oposição dos bancos tradicionais à remuneração de depósitos em stablecoins.

As instituições financeiras alegam que caso haja estímulo à manutenção de valores neste tipo de ativo digital com a oferta de rendimento, as pessoas vão tirar dinheiro dos depósitos bancários e, assim, diminuir a capacidade de concessão de empréstimos.

Contudo, o relatório calcula que eliminar o rendimento de stablecoins aumentaria o crédito bancário em apenas US$ 2,1 bilhões no cenário-base, o que corresponde a um incremento de 0,02%.

“A maior parte das reservas de stablecoins recirculam pelo sistema bancário como depósitos comuns: apenas os 12% mantidos em contas bancárias estão realmente bloqueados para o multiplicador de crédito, se os bancos aplicarem um requisito de reserva de 100%, e mesmo essa fração é ainda mais atenuada pelos requisitos de reserva prudencial e pelas reservas voluntárias de liquidez dos bancos”, afirma a Casa Branca.

Benefícios das stablecoins

O relatório aponta ainda que as stablecoins oferecem benefícios que não existem em depósitos convencionais, em especial para investidores internacionais. A liquidação instantânea 24/7 seria um deles.

Outro seria a segurança, pois as reservas que garantem as stablecoins são 100% colateralizdas, ao passo que os depósitos bancários estão sujeitos ao risco de crédito. “Isso pode ajudar a evitar corridas bancárias e melhorar a estabilidade do sistema de pagamentos”, afirmam os conselheiros dos EUA.

Mudança de composição

Além disso, a Casa Branca afirma que o crescimento das stablecoins não afeta o nível de depósitos, e sim a sua composição. Afinal, caso um investidor saque US$ 1 de um banco A e compre stablecoin, o emissor da stablecoin precisa comprar US$ 1 em títulos do Tesouro americano para manter de reserva da stablecoin e o vendedor desse título irá depositar o valor novamente em um banco B.

O dinheiro, portanto, não sai do sistema bancário. Porém, a condição para que isso continue assim é que as reservas sigam abundantes como são hoje pela política monetária relativamente flexível do Federal Reserve (Fed).

“Se as reservas fossem escassas, a mesma reorganização teria consequências diferentes. Um banco que perde um depósito pode já estar em seu mínimo de reserva efetivo (levando em conta o índice de cobertura de liquidez e comportamento de precaução) e precisaria reduzir os empréstimos para liberar reservas.”

Apoio governamental

Não é a primeira vez que o governo americano apoia o setor cripto na disputa contra os bancos em torno dos rendimentos de stablecoins. No começo de março, o presidente americano, Donald Trump, publicou em sua rede social, a Truth Social, que os bancos estão registrando lucros recordes e não podem prejudicar a “nossa poderosa Agenda Cripto”.

Segundo Trump, caso o lobby bancário impeça a aprovação do “Clarity Act”, o sucesso dos criptoativos americanos poderia migrar para países como a China e outros.

Siga o Future of Money nas redes sociais: Instagram | X | YouTube |  Tik Tok

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: