Casa própria perde espaço e aluguel avança: como vivem os brasileiros

Por Letícia Cassiano 17 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Casa própria perde espaço e aluguel avança: como vivem os brasileiros

O número de brasileiros vivendo em imóveis alugados cresceu 54,1% desde 2016, segundo dados da Pnad Contínua, divulgados nesta sexta-feira, 17, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O avanço indica uma mudança no perfil habitacional do país, com cada vez mais presença do aluguel entre as formas de moradia.

Em 2016, 12,2 milhões de domicílios no Brasil eram alugados. Em 2025, esse número chegou a 18,9 milhões. De acordo com o analista da pesquisa, William Kratochwill, esse número representa quase um quarto das residências.

Ao mesmo tempo, outras categorias também registraram alta. Os domicílios próprios ainda em pagamento cresceram 31,2%, enquanto os imóveis próprios já quitados tiveram aumento de 7,2%, de acordo com o levantamento.

A casa própria segue como a principal forma de moradia no país, com 60,2%, mas o número está em queda. Em quase dez anos, houve uma redução de 6,6 pontos percentuais nesta modalidade.

O avanço mais acelerado dos imóveis alugados reflete um cenário econômico, com Selic a 14,75% ao ano, desfavorável a grandes investimentos, como comprar a casa própria.

Um morador por residência

Morar sozinho também está cada vez mais comum entre os brasileiros. Em quase dez anos, a porcentagem de residências com apenas um morador passou de 12,2% para 19,7%, aproximadamente 8 milhões de domicílios a mais.

Os homens são os principais adeptos dessa modalidade, e representam 54,9% dos brasileiros nestas condições.

Também há diferenças significativas no perfil etário de homens e mulheres que vivem sozinhos. Mais da metade desses homens tinham entre 30 e 59 anos. Enquanto isso, o mesmo percentual de mulheres tinham mais de 60 anos, um reflexo da maternidade solo com a saída dos filhos de casa.

Acesso ao saneamento básico

Os dados do IBGE também mostram mudanças nas condições de infraestrutura dos domicílios brasileiros, mas com desigualdades persistentes.

Ao todo, 86,1% das residências brasileiras tinham acesso a abastecimento de água em 2025. Apesar do número expressivo, ele é mal distribuído entre as regiões do país.

No Norte, esse índice chega a apenas 60,9% dos domicílios. Enquanto isso, no Sudeste, o número se manteve em nove anos e segue atingindo 92,4% da população.

Outra desigualdade aparece no abastecimento de água no campo e na cidade. Em áreas urbanas, o número é de 93,1%, enquanto em zonas rurais o percentual não passou de 31,7%.

Isso se repete no acesso a rede de esgoto. Em áreas urbanas, 79,3% das residências eram conectadas à rede de esgoto em 2025. Já em áreas rurais, esse número despenca para 8,9%.

Os dados também mudam entre as regiões. Enquanto no Sudeste a rede de esgoto já alcança 90,7% dos domicílios, no Norte esse índice atinge apenas 30,6%.

Já a coleta de lixo com destino correto melhorou de 2016 para 2025, chegando a 86,9% dos endereços, e com índices altos mesmo em regiões com pouco acesso a saneamento básico. O Nordeste foi a região com o menor índice, 79,3%.

A prática da queimada de lixo na propriedade recuou no Norte e no Nordeste. Em 2016, esse percentual era de 18,6% no Norte, e caiu para 14,5%. No Nordeste, foi de 17,2% para 13%.

Segundo o estudo, é nas áreas rurais do país que a queima de lixo mais acontece. Nessas regiões, esse índice chegou a 50,2% no ano passado.

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