Casas Bahia reduz dívida em 68%, mas prejuízo vai a R$ 1 bi no 1° trimestre
O Grupo Casas Bahia (BHIA3) iniciou 2026 ainda no vermelho, mas manteve os sinais de melhora operacional em meio ao processo de reestruturação da companhia. No balanço do 1° trimestre divulgado nesta quarta-feira, 13, a companhia reportou um prejuízo líquido de R$ 1,064 bilhão, acima da perda de R$ 408 milhões registrada no mesmo período do ano passado.
Por outro lado, os indicadores operacionais seguiram a tendência de evolução apontada nos resultados financeiros do 4° trimestre de 2025. O Ebitda ajustado, indicador que mede o desempenho operacional sem efeitos financeiros e contábeis, somou R$ 597 milhões de janeiro a março, crescimento de 4,7% na comparação anual.
A margem Ebitda ficou em 8,1%, praticamente estável em relação aos 8,2% registrados um ano antes.
A receita líquida avançou 6,1% no período, para R$ 7,416 bilhões, impulsionada principalmente pelo desempenho do e-commerce próprio (1P), que cresceu 26,4% no trimestre. Já o 3P, que traz as parcerias com marketplaces, registrou um decréscimo de 3%, totalizando R$ 1,780 bilhão
Nos primeiros três meses deste ano, o volume bruto de mercadorias (GMV) consolidado somou R$ 11,2 bilhões, o que representa um crescimento de 5% na comparação anual. Em lojas físicas, o GMV foi de R$ 6,193 bilhões, queda de 1,6%. O resultado, contudo, pe considerado estável pela varejista, especialmente considerando o fechamento líquido de 26 lojas nos últimos 12 meses.
De acordo com o CFO da companhia, Elcio Ito, os resultados operacionais mostram que a companhia continua ganhando participação de mercado mesmo em um cenário macroeconômico desafiador, marcado por juros elevados e consumo mais pressionado, o que pressionou principalmente nas vendas em lojas físicas. "Seguimos crescendo, aumentando market share com uma execução comercial bastante assertiva", afirmou.
Casas Bahia prevê expansão do crediário
O CFO também ressaltou que a companhia pretende continuar expandindo suas operações de crediário, mas mantendo disciplina na concessão de crédito e controle da inadimplência. "Não vamos crescer a qualquer preço. O crescimento do crediário precisa estar acompanhado de inadimplência dentro dos parâmetros da companhia", disse o diretor financeiro.
A Casas Bahia encerrou o trimestre com uma carteira de R$ 6,3 bilhões, o que representa um crescimento de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A participação do carnê nas vendas foi de 24,3%, enquanto o crediário digital teve uma penetração de 9,9% e, no 3P, a modalidade já representa 9,6% das vendas, estando habilitada para mais de 4.900 sellers.
Ao todo, a produção do crediário digital cresceu 18% comparado ao 1° trimestre de 2025, com a carteira desse segmento atingindo R$ 874 milhões. A empresa também negociou uma redução de 3,5 pontos percentuais no custo do funding do crediário, benefício que será capturado gradualmente conforme a carteira (com prazo médio de 14 meses) for renovada.
As despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) somaram R$ 1,704 bilhão no trimestre, equivalentes a 23% da receita líquida, uma leve melhora frente aos 23,1% registrados no primeiro trimestre de 2025.
Os custos das mercadorias vendidas (CMV) totalizaram R$ 5,115 bilhões, alta de 5,9% na comparação anual.
Selic impacta no resultado financeiro
Na frente financeira, a companhia também destacou a melhora da estrutura de capital. A dívida líquida ajustada encerrou março em R$ 1,248 bilhão, redução de 68% em relação aos R$ 3,911 bilhões registrados um ano antes. Com isso, o índice de alavancagem financeira, medido pela relação entre dívida líquida ajustada e Ebitda, caiu de 1,8 vez para 0,5 vez em 12 meses.
Na comparação com o quarto trimestre de 2025, porém, houve leve aumento da dívida, que estava em R$ 1,129 bilhão. O fluxo de caixa livre permaneceu positivo no trimestre, em R$ 852 milhões. No mesmo período do ano passado, a companhia havia consumido R$ 322 milhões em caixa.
Segundo o grupo, o desempenho foi beneficiado pela melhora do capital de giro e ganhos operacionais, mesmo com a sazonalidade típica de formação de estoques para datas relevantes do varejo, como Dia das Mães e Copa do Mundo.
Mas o resultado financeiro líquido da companhia ficou negativo em R$ 1,2 bilhão no trimestre, refletindo o avanço do CDI médio de 12,94% no primeiro trimestre de 2025 para 14,86% no mesmo período deste ano, o que elevou o custo da dívida. Além disso, o efeito contábil relacionado ao imposto de renda diferido também pressionou no resultado financeiro final.
To destaca que a Casas Bahia "adotou uma postura mais conservadora" em relação aos créditos tributários sobre prejuízos acumulados e deixou de registrar ativos fiscais diferidos, o que gerou uma variação negativa de cerca de R$ 370 milhões na linha de imposto de renda frente ao ano anterior.
Ainda assim, o executivo diz que a combinação entre melhora operacional e redução gradual das despesas financeiras deve pavimentar o caminho para a volta ao lucro.
"A trajetória para o lucro é gradual. Não é de um trimestre para o outro. É uma jornada, não uma corrida de 100 metros", afirmou. "O operacional continua melhorando e a transformação do balanço começa a ter cada vez mais impacto trimestre a trimestre", finalizou o CFO.
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