CDI ou IPCA: saiba o que pode render mais se a Selic cair
O dia começa com investidores atentos à terceira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A expectativa é que haja um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, o que levaria a principal taxa de juros da economia brasileira para o patamar dos 14,50%. E, sempre que uma redução ocorre, a renda fixa volta ao radar do mercado.
Com o ciclo de corte de juros em 2026, vale a pena continuar apostando nesses ativos? Para quem está no Tesouro Selic ou um CDB atrelado ao CDI, vale a pena migrar para prefixados ou IPCA+ agora? Ou é melhor aguardar mais cortes para ter clareza sobre o ciclo? Segundo especialistas consultados pela EXAME, não há uma resposta única.
“O ponto fundamental aqui é que não precisa ser uma decisão de ‘tudo ou nada’. Quem está bem alocado em Tesouro Selic ou CDB DI, tem uma posição confortável, está sendo bem remunerado e tem flexibilidade, nesse caso, não há urgência em migrar”, comenta Lucas Queiroz, estrategista de renda fixa do Itaú.
Em sua visão, Tesouro Selic é o “alicerce da carteira”. Com a Selic nesse patamar, ele entrega um retorno nominal alto, sem sobressaltos de marcação a mercado e com liquidez diária. “Para a reserva de emergência, para objetivos de curto prazo ou simplesmente para quem quer esperar o cenário clarear antes de tomar decisões maiores, é a escolha mais eficiente.”
Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, enfatiza sua preferência pelo CDI e crédito privado high grade, especialmente via fundos, FICs FIDC bem estruturados, fundos de renda fixa pós-fixada e fundos de debêntures incentivadas. “O CDI ainda captura uma Selic muito elevada com menor volatilidade e boa liquidez, o que é importante porque o Copom deve seguir cauteloso”, afirma.
E o IPCA+?
O IPCA+ não deixa de brilhar o olho dos agentes do mercado. Lais Costa, analista de renda fixa da Empiricus, ressalta sua preferência por esses ativos – é possível encontrar hoje um Tesouro IPCA+ 2032, por exemplo, pagando IPCA + 7,60%. Queiroz concorda: esses títulos são bons para longo prazo, para quem está pensando em construção de patrimônio ou proteger o poder de compra.
“A abertura das taxas em março e abril, provocada pelo choque do petróleo e pela reprecificação das expectativas de inflação, criou o que eu chamaria de uma janela de oportunidade, não necessariamente para migrar toda a carteira, mas para montar posições gradualmente”, explica.
Segundo Queiroz, o IPCA+ é onde está, na sua avaliação, a grande oportunidade de longo prazo, já que taxas reais acima de 7% ao ano são historicamente muito elevadas e oferecem proteção contra a inflação, que é justamente o risco que mais preocupa neste momento, com petróleo alto e expectativas desancoradas.
“A volatilidade de curto prazo pode ser desconfortável, mas para quem consegue carregar o título até o vencimento, o prêmio travado é muito significativo”, diz. Costa também afirma: a preferência da casa são para ativos atrelados ao IPCA. Isso porque permitem capturar tanto o carrego da inflação realizada quanto um possível fechamento das taxas de juros reais ao longo do tempo.
Há diversos fatores que podem contribuir para esse movimento de atratividade do IPCA+. Entre eles, um aumento da inflação implícita — possivelmente influenciado por um cenário global — ou questões domésticas, como dinâmicas eleitorais. “Um eventual cenário de maior expansão fiscal, por exemplo, pode pressionar as expectativas inflacionárias”, pomtua.
Entretanto, Belitardo, da Hike Capital, diz que no caso dos títulos atrelados ao IPCA, em sua análise a cautela deve ser redobrada.
Prazos mais longos tendem a ser bastante sensíveis à marcação a mercado em cenários de abertura dos juros reais. Por essa razão, a estratégia preferida da Hike não passa pela compra direta de papéis longos, mas sim pelo acesso à inflação e ao crédito via fundos especializados, como os de debêntures incentivadas e outras estruturas com gestão ativa.
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