CEO da Amazon Brasil: 'Com a Copa do Mundo, esperamos uma Black Friday de seis meses'
A Copa do Mundo de 2026 já movimenta os planos da Amazon Brasil. A expectativa da companhia é que o torneio provoque um ciclo prolongado de consumo, capaz de transformar o primeiro semestre do ano em uma espécie de "Black Friday de seis meses".
"Internamente, brincamos que vamos ter uma 'Black Friday' de seis meses com a Copa do Mundo", afirma Juliana Sztrajtman, CEO da Amazon Brasil, em entrevista ao podcast De Frente com CEO, da EXAME.
A avaliação da executiva é que o calendário de grandes eventos, somado aos feriados e ao fortalecimento do comércio eletrônico no país, deve impulsionar a procura por uma ampla variedade de produtos. A expectativa vai muito além dos tradicionais eletrônicos.
"Vão comprar desde uma TV até itens para bebidas e comidas para consumir durante os jogos", diz.
A aposta em um 2026 de consumo aquecido acontece depois de uma Black Friday de 2025 que, segundo a CEO, manteve o ritmo acelerado de crescimento da companhia, com a entrada de novos clientes e maior recorrência de compras. Sem abrir números, a executiva afirma que a estratégia de estender o período promocional por cerca de 20 dias ajudou a consolidar o desempenho.
"Foi uma Black Friday de muito crescimento, que continuou dando o ritmo do ano", afirma a CEO.
O otimismo também é sustentado pelo peso do Brasil na estratégia global da empresa.
"A Amazon investiu no Brasil mais de R$ 55 bilhões desde 2011, com 25% desse total concentrado no último ano", afirma Sztrajtman, que afirma que vai manter o ritmo de investimento neste ano.
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Um crescimento que não vê CEP
Para acompanhar a expectativa de aumento da demanda, a companhia continuará ampliando investimentos em logística e tecnologia. Atualmente, a Amazon entrega em 100% dos CEPs brasileiros, com prazo de um a dois dias em mais de 1.500 cidades e entrega no mesmo dia em cerca de 100 municípios.
"O próximo passo é ampliar as entregas em poucas horas", diz a executiva.
A inteligência artificial também faz parte dessa estratégia. Hoje, 100% das rotas de entrega utilizam IA para otimizar as operações e aprender os padrões de recebimento dos clientes. Nos últimos anos, a empresa expandiu sua estrutura logística de 150 para mais de 250 polos e dobrou o número de pessoas na operação brasileira, passando de 18 mil para 36 mil funcionários.
Outra frente considerada estratégica para acelerar o e-commerce no país é a expansão das opções de crédito e pagamento. Entre os movimentos recentes estão as parcerias com o Nubank e com o iFood, além do fortalecimento do ecossistema Amazon Prime.
"O Prime foi muito bem aceito pelo brasileiro. Frete grátis, entretenimento e mais conveniência fazem com que as pessoas voltem a comprar", afirma.
Apesar do ritmo acelerado, Sztrajtman reforça que a estratégia da companhia é de longo prazo.
"Não fazemos um investimento desse tamanho para um ano. É para as próximas décadas", diz.
Em um mercado onde o comércio eletrônico ainda representa cerca de 15% das vendas do varejo, a Amazon vê no Brasil um dos seus maiores vetores de crescimento. Entre os países considerados emergentes dentro do ecossistema da companhia, a operação brasileira está entre as mais relevantes.
"Entre os países que chamamos de emergentes, ou seja, os que têm a loja há menos tempo dentro do ecossistema da Amazon, o Brasil é um dos maiores", afirma a CEO.
Fundada nos Estados Unidos como uma livraria online, a Amazon se transformou em uma gigante global de varejo e tecnologia. No Brasil, o desafio agora é continuar expandindo esse ecossistema usando dados, inteligência artificial e logística para entender cada vez melhor os hábitos e as necessidades dos consumidores. E no caso da Copa do Mundo, a expectativa é que o mundial não movimente apenas os estádios, mas também os carrinhos de compra dos brasileiros.
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