Protestos ressurgem em uma Venezuela pós-Maduro

Por Matheus Gonçalves 13 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Protestos ressurgem em uma Venezuela pós-Maduro

Em uma Venezuela sem Nicolás Maduro, mães pedem a libertação de filhos prisioneiros políticos, trabalhadores do setor petrolífero exigem melhores condições de trabalho e idosos reivindicam aposentadorias dignas.

O medo se espalhou pelas ruas após a repressão que se seguiu à contestada reeleição de Maduro em 2024, marcada por prisões em massa. As conversas em espaços públicos tornaram-se mais restritas. Agora, meses após sua prisão pelos EUA, a liberdade de expressão volta aos poucos e o medo parece diminuir, segundo a agência de notícias AFP.

A queda do líder chavista, de 63 anos, marcou "um antes e um depois", avalia à agência de notícias AFP o ativista Diego Casanova durante uma das manifestações que voltaram a ocorrer no país.

Com um megafone em frente à Procuradoria-Geral, na capital, Caracas, ele animava uma concentração de cerca de 30 pessoas. Um grupo de mulheres entoava com ele o coro "Não há liberdade!" ao exibir fotos de parentes presos e cartazes pedindo o fechamento de "todos os centros de tortura", conta a agência.

Após a queda de Maduro, o poder foi assumido por Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente, que governa sob pressão de Washington.

"Eles não deixaram de ter esse apetite voraz pela perseguição", afirma Casanova. "Mas sabem que o custo político é muito mais alto neste momento, e a população também entende isso".

Policiais venezuelanos em guarda relaxada acompanham protestos pela liberdade de presos políticos perto de prisão (Juan Barreto /AFP)

Rodríguez assumiu o comando de uma Venezuela que, segundo o presidente americano Donald Trump, está sob influência dos Estados Unidos.

A captura de Maduro "gerou uma série de possibilidades, mas também muitos questionamentos", explica à AFP Danny Socorro, diretor da Escola de Psicologia da Universidade Católica Andrés Bello (Ucab).

Por medo, a aposentada de 76 anos, Nely Molina, evitou protestar durante meses. "As coisas mudaram um pouco", diz em referência ao período após a prisão de Maduro, acusado de narcotráfico.

Em outro protesto em Caracas, Molina reclama de sua aposentadoria "de fome", ao lado de cerca de cem idosos debilitados. A crise econômica é um dos principais motores das manifestações, segundo o OVCS.

Segundo a AFP, um pequeno grupo de policiais observava a cena a poucas quadras do Palácio de Miraflores, fortemente protegido e de acesso restrito.

Durante outra manifestação de familiares de presos políticos, Dilsia Caro, de 50 anos, recorda: "Se você saísse à rua para protestar, sabia que seria preso."

Caro exige a libertação de seu marido, Noel Flores, de 48 anos, detido por um suposto plano para assassinar Maduro. Ela afirma não ter medo, embora continue em vigor um estado de exceção que pode levar opositores à prisão.

Repressão "seletiva"

Nos arredores da prisão Rodeo I, perto de Caracas, familiares de presos por motivos políticos mantêm um acampamento exigindo a libertação dos detidos.

Caro participa de vigílias de oração que já ultrapassaram cem dias consecutivos, semelhantes às realizadas diante do Helicoide, denunciado como "centro de tortura" e que Rodríguez prometeu fechar.

Problemas nos serviços públicos, aumentos salariais e eleições presidenciais estão entre as reivindicações de um país cuja crise levou cerca de oito milhões de cidadãos a emigrar.

Segundo o OVCS, a repressão passou a ocorrer de formas "mais sofisticadas, seletivas e menos visíveis". Ativistas relatam detenções arbitrárias de curta duração durante manifestações.

Casanova cola folhas de papel na calçada em frente à Procuradoria-Geral. Em uma delas lê-se: "Neste momento, um preso político está sendo torturado."

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