CEO do Xbox reconhece que Game Pass ficou caro demais e sinaliza mudanças
O preço do Game Pass para consumidores de Xbox se tornou um ponto delicado na conexão com a marca. Aumentos consecutivos têm sido fatores relevantes para afastar jogadores fiéis: no Brasil, a assinatura mais cara passou de R$ 59,99 para R$ 119,90 ao mês. Agora, Asha Sharma, nova CEO da divisão de jogos da Microsoft, teria dito a funcionários que o serviço "ficou caro demais para jogadores", indicando uma possível renovação na "equação de valores" em breve.
A declaração da executiva em comunicado interno foi obtida pelo The Verge. No documento, Sharma vai direto ao ponto. Ela diz que o serviço é "central" para a proposta de valor do Xbox no mercado de games e que o modelo atual não é o definitivo. No longo prazo, a ideia é transformá-lo num sistema mais flexível; o que, nas palavras da executiva, vai "levar tempo para testar e aprender". Sharma também sinalizou que está ciente das especulações que circulam online sobre possíveis cortes de preço, e que pretende aprofundar a conversa com sua equipe em breve.
A Microsoft elevou os preços do Game Pass duas vezes num intervalo relativamente curto, com o plano Ultimate chegando a US$ 29,99 por mês nos Estados Unidos; um salto de 50% em relação ao valor anterior. No Brasil, o impacto foi ainda maior: o plano mais completo passou de R$ 59,90 para R$ 119,90 mensais, dobrando de preço do dia para a noite. O anúncio gerou onda imediata de indignação nas redes sociais, assim como ocorreu com a chegada do Nintendo Switch 2 por R$ 4.999 no país. Com a redução dos preços de jogos da Nintendo e possíveis mudanças sobre a precificação do Game Pass, o momento para as grandes desenvolvedoras parece ser de recalcular a rota.
Call of Duty: o elefante na sala
Nos dias anteriores à divulgação do comunicado de Sharma, o jornalista Jez Corden, do Windows Central, sugeriu que a Microsoft pode estar avaliando tirar o fenômeno Call of Duty do Game Pass já neste ano. A atualização representaria uma reviravolta e tanto, considerando que a inclusão da franquia no serviço foi apresentada como um dos argumentos para justificar a alta dos preços.
Segundo fontes ouvidas pelo The Verge, a decisão de colocar a franquia de jogos de tiro no Game Pass teve um custo elevado para a Microsoft: a empresa deixou de arrecadar centenas de milhões de dólares em vendas individuais de jogos que, de outra forma, seriam comprados pelos assinantes. A ideia de tirar Call of Duty da assinatura ou de estabelecer uma assinatura dedicada à franquia pode ser parte da "flexibilização" que Sharma menciona no memo.
Nova liderança tenta renovar alma do Xbox
Sharma assumiu a liderança da divisão de games da Microsoft há poucos meses, sucedendo Phil Spencer numa posição de enorme visibilidade. A executiva deixa claro que seu principal foco é reposicionar a marca Xbox como um pilar central na comunidade de jogos, revertendo ações que aproximavam a empresa de uma distribuidora em detrimento da quantidade de produções próprias. Uma reportagem do The Information sugere que ela já teria conversado com executivos da Electronic Arts, da Take-Two e com o co-CEO da Netflix, Greg Peters, sobre possíveis parcerias e reformulações no modelo do serviço.
Com títulos como Forza Horizon 6, Gears of War: E-Day, Halo: Campaign Evolved e Fable no horizonte, o futuro console de codinome Project Helix e declarações de Sharma sobre evitar que o Xbox se torne um reprodutor de inteligência artificial, as expectativas dos consumidores para um futuro de renovação da marca voltaram a aparecer.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: