EUA negam desbloqueio de fundos do Irã; negociações ocorrem no Paquistão

Por Da redação, com agências 12 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
EUA negam desbloqueio de fundos do Irã; negociações ocorrem no Paquistão

Os Estados Unidos negaram neste sábado, 11, ter concordado em liberar parte dos ativos iranianos congelados no exterior, em meio aos esforços para iniciar negociações de paz com o Irã na capital paquistanesa. O desmentido ocorreu após informações de que Washington teria aceitado desbloquear fundos como gesto inicial nas conversas. A informação é da agência EFE.

“Falso. As reuniões nem sequer começaram ainda”, disse um alto funcionário americano a jornalistas que acompanham a delegação dos EUA em Islamabad.

A negativa responde a relatos sobre um suposto acordo para liberar recursos iranianos retidos no Catar e em outros bancos internacionais.

De acordo com informações atribuídas a uma “fonte iraniana de alto nível”, a liberação dos fundos estaria condicionada à garantia de passagem segura pelo Estreito de Ormuz e ao fim das hostilidades.

A agência iraniana “Tasnim”, ligada à Guarda Revolucionária, publicou que “como resultado de pressão e negociações, o lado americano concordou em liberar os ativos iranianos congelados”.

Segundo a agência, “o lado iraniano está buscando mecanismos para garantir a seriedade dos EUA nessa questão, dado seu histórico de descumprimento e falta de comprometimento”.

As declarações ocorreram no mesmo dia em que o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, manteve reuniões separadas com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, e com a delegação iraniana, liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.

Embora o governo do Paquistão tenha afirmado que as conversas de paz já começaram, a delegação americana sustenta que o processo formal ainda não foi iniciado.

Ainda não está claro se o formato será de negociações diretas ou se continuará o modelo de “proximidade”, com mediação paquistanesa.

Irã condiciona acordo à postura dos EUA

O governo iraniano afirmou que um acordo só será possível se os Estados Unidos colocarem seus próprios interesses à frente dos de Israel.

“Se negociarmos em Islamabad com representantes do ‘Estados Unidos Primeiro’, é provável alcançar um acordo benéfico para ambas as partes e para o mundo”, disse no X o primeiro-vice-presidente do Irã, Mohammad Reza Aref.

Segundo ele, “se enfrentarmos representantes do ‘Israel Primeiro’, não haverá acordo”.

Aref também afirmou que, nesse cenário, “inevitavelmente o Irã continuará sua defesa com ainda mais firmeza do que antes, e o mundo enfrentará custos maiores”.

Ghalibaf, que lidera a delegação iraniana, disse ao chegar a Islamabad que o Irã mantém “boa vontade”, mas desconfia dos EUA. “Temos boa vontade, mas não confiamos nos Estados Unidos devido às experiências das últimas conversas”, declarou, em referência às negociações nucleares de 2025 e às ofensivas israelense-americanas ocorridas em janeiro.

Israel mantém ataques ao Líbano

Enquanto as delegações de EUA e Irã se encontram em Islamabad, Israel segue com ataques no sul do Líbano.

Segundo a EFE, a agência estatal libanesa “ANN” relatou bombardeios em áreas como Mansouri, Jouya, Qantara e Tebnine, incluindo as proximidades de um hospital público. Também foram registrados voos de caças israelenses em baixa altitude sobre Beirute e os subúrbios do sul da capital.

A ofensiva ocorre no momento em que Teerã exige que o Líbano seja incluído em um eventual acordo de cessar-fogo.

A presidência libanesa informou ter havido um primeiro contato telefônico direto com Israel por meio de embaixadores em Washington, com reunião prevista para 14 de abril no Departamento de Estado dos EUA. O objetivo é discutir “o anúncio de uma trégua e a data de início das negociações entre o Líbano e Israel”.

De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, o conflito já deixou mais de 1.950 mortos desde o início das hostilidades, há cinco semanas.

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