Cérebro cultivado em chip enfrenta clássico dos anos 1990
Um computador biológico desenvolvido com células cerebrais humanas cultivadas em laboratório conseguiu aprender a jogar “Doom”, clássico game de tiro lançado nos anos 1990. O experimento foi conduzido pela empresa australiana Cortical Labs, que desenvolve chips neuronais capazes de integrar neurônios vivos a sistemas computacionais.
Embora o desempenho ainda esteja distante de um jogador humano, os pesquisadores afirmam que o avanço demonstra capacidade de aprendizado adaptativo em tempo real, aproximando a tecnologia de aplicações mais complexas no futuro.
Do 'Pong' ao 'Doom'
A trajetória do projeto começou com o “DishBrain”, um dos primeiros biocomputadores criados pela empresa. O sistema utilizava cerca de 800 mil neurônios humanos cultivados em laboratório, conectados a um chip capaz de interpretar sinais elétricos e responder a estímulos externos.
Em testes iniciais, o biocomputador foi treinado para jogar “Pong”, game clássico frequentemente usado em pesquisas de neurociência computacional por exigir respostas rápidas a estímulos visuais dinâmicos.
Posteriormente, o hardware evoluiu para o modelo CL1, descrito pela empresa como o primeiro computador biológico programável por código. Foi com essa nova plataforma que a equipe decidiu testar algo mais complexo: rodar “Doom”.
Como neurônios aprenderam a jogar 'Doom'
O principal desafio não era apenas executar o jogo, mas permitir que os neurônios “entendessem” o ambiente virtual. Como o sistema não possui visão, os pesquisadores precisaram converter as informações visuais do jogo em padrões de estimulação elétrica reconhecíveis pelas células.
A solução envolveu traduzir elementos gráficos em sinais que pudessem ser processados pelos neurônios conectados ao chip. O sistema então passou a responder aos estímulos, ajustando seu comportamento conforme recebia feedback.
Em vídeo, Brett Kagan, diretor científico da Cortical Labs, afirmou que o experimento representa um marco por demonstrar aprendizado orientado a objetivos e adaptação em tempo real.
Apesar do avanço, o biocomputador não domina as fases mais complexas de “Doom”. A máquina supera sistemas que agem de forma aleatória, mas ainda comete muitos erros e perde partidas com frequência.
Mesmo assim, a empresa afirma que o sistema atingiu seu nível atual de desempenho mais rapidamente do que alguns modelos tradicionais de aprendizado de máquina baseados em silício.
Aplicações além dos videogames
A expectativa da empresa é que chips neuronais possam, no futuro, ser aplicados em áreas como:
A capacidade de aprender tarefas progressivamente mais difíceis, como evoluir de “Pong” para “Doom”, é vista como etapa simbólica na validação da tecnologia.
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