'Chantagem política' e 'Senado fez história': a repercussão da rejeição de Messias
A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado nesta quarta-feira gerou forte repercussão nas redes sociais, com manifestações tanto de aliados do governo quanto da oposição.
O resultado representa um revés para o Palácio do Planalto e amplia a tensão na relação com o Congresso Nacional a menos de seis meses das eleições.
Aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Messias obteve 34 votos favoráveis, número sete abaixo do mínimo necessário para a aprovação. Ao todo, foram registrados 42 votos contrários à indicação.
Vozes políticas
No campo governista, o ministro da Secretaria-Geral Guilherme Boulos (PSOL) afirmou que o "Senado sai menor desse episódio lamentável".
A aliança entre bolsonarismo e chantagem política venceu na rejeição ao nome de Jorge Messias ao STF. O Senado sai menor desse episódio lamentável.
— Guilherme Boulos (@GuilhermeBoulos) April 29, 2026
Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, disse que a Casa "fez história e evitou que a esquerda e o PT aparelhassem ainda mais o Estado e a Justiça".
Por 42 votos a 34, o Senado fez história e evitou que a esquerda e o PT aparelhassem ainda mais o Estado e a Justiça. Podemos dizer com confiança que o Brasil tem futuro. pic.twitter.com/Y0iulTNGgS
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) April 29, 2026
Vitória histórica no Senado Federal da população brasileira. O AGU Jorge Messias foi rejeitado. Queremos um STF independente de Lula e do Poder Executivo, vinculado apenas à lei e à Constituição. pic.twitter.com/7XzEpYMuaZ
— Sergio Moro (@SF_Moro) April 29, 2026
Indicado no ano passado
O atual chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) havia sido indicado por Lula para a vaga no STF há mais de cinco meses. Desde então, o nome enfrentava resistências, principalmente da oposição e da cúpula do Senado, com destaque para o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Mais cedo, durante a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Messias recebeu 16 votos, em uma sessão marcada por apreensão entre parlamentares governistas diante da incerteza quanto à sua aprovação no plenário.
Com o desfecho, Jorge Messias se torna o primeiro indicado ao STF rejeitado pelo Senado desde 1894, durante o governo de Floriano Peixoto, no início da nossa República.
Lula não deve indicar outro nome após Senado rejeitar Messias ao STF, dizem aliados
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia sinalizado a aliados que não indicaria outro nome caso o Senado rejeitasse sua indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
O relator da indicação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, senador Weverton Rocha (PDT-MA), aliado do governo, afirmou na noite desta quarta-feira, 29, que Lula lhe disse que não vai mandar outro nome neste ano. Com isso, a indicação ficaria para o próximo mandato.
A rejeição do nome de Messias, fato inédito desde 1894, quando o Senado desaprovou cinco indicações feitas pelo então presidente Floriano Peixoto, é considerada por aliados uma derrota maiúscula de Lula e uma humilhação da articulação política, comandada há menos de um mês pelo ministro José Guimarães, ex-líder do governo na Câmara.
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