China amplia produção de chips para IA e quer quintuplicar capacidade até 2030
O governo da China irá apoiar que empresas locais acelerem a produção de chips para equipar a indústria nacional de inteligência artificial e evitar que as rixas comerciais com os Estados Unidos atrasem o desenvolvimento da tecnologia no país. As informações são de uma reportagem do Nikkei Asia.
Na prática, Pequim quer aumentar rapidamente a fabricação de componentes essenciais para sistemas de IA, como os usados em aplicativos, data centers e carros autônomos. Entre as empresas apoiadas estão a SMIC, maior fabricante de chips da China, a Hua Hong Semiconductor e divisões da Huawei, que passou a investir mais em tecnologia própria após sofrer sanções americanas.
Hoje, a China produz menos de 20 mil placas de semicondutores, conhecidas como wafers, mas a meta é chegar a 100 mil unidades em até dois anos e alcançar 500 mil até 2030. Os wafers são as "bases" onde os chips são construídos, quanto mais modernos e menores, mais eficientes eles tendem a ser.
Especialistas afirmam que as restrições dos EUA forçaram empresas chinesas a buscar alternativas internas. "O futuro delas depende da capacidade dos fabricantes locais de atender à demanda", afirmou Donnie Teng, analista da Nomura Securities, ao Nikkei Asia.
Mesmo com o incentivo à produção nacional, analistas avaliam que as fabricantes chinesas ainda não conseguem suprir sozinhas toda a demanda interna por chips avançados. Por isso, parcerias com empresas globais como a Nvidia não estão descartadas, ainda que sob regras rígidas.
EUA e China disputam liderança em IA
Entre 2024 e 2025, empresas chinesas como Hygon Information Technology e Cambricon Technologies registraram forte crescimento ao se tornarem alternativas à Nvidia, impedida de vender seus chips mais avançados à China. A Hygon ampliou sua receita em 45% ao ano, enquanto a Cambricon triplicou seu faturamento anual no período.
No início deste ano, o governo chinês autorizou a empresa DeepSeek a comprar chips H200, modelo intermediário da Nvidia, como alternativa ao Blackwell, o mais avançado da companhia. A liberação ocorreu semanas após o governo americano permitir vendas limitadas a grupos como ByteDance, Alibaba e Tencent.
Em paralelo, gigantes locais como a Alibaba têm investido em soluções próprias, como a IA Qwen3.5, buscando maior autonomia tecnológica. O movimento mostra que, apesar das barreiras comerciais, a disputa entre China e EUA pelo domínio da inteligência artificial segue intensa.
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