China cria plano para desempregados com diploma trabalharem em fábricas
O governo da China prometeu expandir o treinamento técnico entre jovens procurando emprego no ano passado, conforme busca resolver uma crise trabalhista na qual milhões de formados academicamente — principalmente em campos STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) — lutam para conseguir empregos em indústrias emergentes como robótica e tecnologia artificial.
Todavia, a condução da política, que visa resolver um dos maiores problemas sociais da China, suscita alertas e reações mistas, mesmo entre uma geração que já sofre com problemas trabalhistas.
A medida tem dois lados: por um lado, o Ministério de Recursos Humanos e Segurança Social prometeu, nessa terça, 28, especializar 1 milhão de jovens, com foco em áreas STEM, para desenvolver suas indústrias emergentes, que a China também percebe como uma importante vantagem geopolítica.
Por outro lado, também vai incentivar certas regiões a introduzir cursos técnicos para formandos universitários, para que consigam alinhar suas habilidades e seu conhecimento acadêmico à crescente demanda industrial, alimentando a produção nas fábricas. Afinal, aumentar o consumo doméstico e reduzir a dependência de exportações são pautas importantes do atual plano quinquenal.
Muitas cidades já seguem o modelo, com Pequim, por exemplo, lançando seis programas de horário integral para alunos universitários graduados em escolas técnicas neste ano, em um sistema que combina um ano de aulas com um ano de estágio.
Enquanto políticos dizem que esses programas têm como alvo principal os recém-formados desempregados, a política gerou ceticismo e críticas nas plataformas virtuais entre jovens que já enfrentam dificuldades para conseguir uma carreira num mercado de trabalho saturado.
Alguns internautas questionam o verdadeiro valor de diplomas acadêmicos tradicionais — não só vistos como pré-requisitos importantes na mobilidade social chinesa, mas também como fonte de orgulho, à medida que universidades chinesas desbancam nomes ocidentais estabelecidos em rankings. Alguns jovens sugerem que não cursar universidade, preferindo cursos técnicos, economizaria tempo e dinheiro.
"Estou sem palavras. Trabalhei duro desde a escola profissionalizante até a graduação e o mestrado, só para me dizerem para voltar para uma faculdade técnica", publicou um usuário na plataforma de mídia social chinesa RedNote.
Desemprego entre jovens na China
As taxas de desemprego entre jovens na China estiveram em alta desde a pandemia, quando executivos do setor corporativo cortaram contratações em meio a uma desaceleração econômica, tendência que se mantém até hoje. Mais de um em cada seis chineses entre 16 e 24 anos, sem contar estudantes, estavam desempregados em março, segundo dados oficiais do governo.
Mesmo os jovens formados têm dificuldades para encontrar empregos em um mercado que, além de saturado, é cada vez mais competitivo. Como consequência, muitos buscaram diplomas de pós-graduação para melhorar suas chances, e muitos mais se voltaram ao crescente setor informal em busca de trabalho temporário.
Ainda assim, com um número recorde de 12,7 milhões de formados entrando no mercado esse ano, as condições devem se tornar ainda mais apertadas nos próximos meses.
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