China libera três frigoríficos brasileiros para exportar carne
A China autorizou três frigoríficos brasileiros a retomarem os embarques de carne bovina após uma suspensão realizada em 2025, informou nesta quarta-feira, 20, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
A decisão foi comunicada após reunião entre autoridades do Brasil e da China em Pequim.
Entre as unidades liberadas está o frigorífico de Mozarlândia, da JBS, segundo Roberto Perosa, presidente da Abiec, à Reuters. A JBS é a maior processadora de carne do mundo.
“A medida representa uma importante conquista para o setor e reforça a confiança da China no sistema sanitário brasileiro e na qualidade da carne bovina produzida no Brasil”, afirmou a associação em comunicado.
Brasil lidera exportações, mas enfrenta pressão nas margens
O Brasil iniciou 2026 com avanço nas exportações de proteínas, mas o ritmo pode enfrentar limites ao longo do ano, segundo relatório do Bank of America assinado pelas analistas Isabella Simonato e Julia Zaniolo.
De janeiro a março, os embarques de carne bovina cresceram 20% na comparação anual. As exportações de frango avançaram 5%, mesmo sobre uma base elevada, enquanto a carne suína subiu 15%.
O desempenho dá sequência a uma década de expansão. Em 2025, o país exportou o recorde de 9,4 milhões de toneladas de proteínas, com crescimento médio anual próximo de 5%.
“O forte desempenho das exportações ressalta um equilíbrio apertado entre oferta e demanda global, com o Brasil bem posicionado como um mercado-chave de origem”, afirmam Simonato e Zaniolo no relatório.
A China segue como principal motor da demanda, especialmente para a carne bovina. Os preços da proteína chegaram a US$ 5,83 por quilo em março, com média de US$ 5,58 por quilo no trimestre, alta de 15% em um ano.
O ponto de atenção está na cota chinesa de importação. No fim de 2025, o país asiático impôs tarifas adicionais de 55% sobre compras de carne bovina de países como Brasil, Austrália e Estados Unidos quando os embarques ultrapassarem limites definidos.
Para 2026, a cota total foi fixada em 2,7 milhões de toneladas. O Brasil ficou com a maior fatia, de 41,1%, equivalente a 1,1 milhão de toneladas. Argentina e Uruguai aparecem em seguida, com 19,0% e 12,1%, respectivamente.
Segundo o BofA, cerca de 43% da cota anual brasileira já teria sido consumida até março. “O volume sugere que a cota pode ser totalmente utilizada entre agosto e setembro”, dizem as analistas.
A restrição tem peso para o setor brasileiro. Em 2025, o Brasil enviou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina à China, o equivalente a 48,3% do volume exportado, segundo dados da Abiec citados no relatório.
Custos apertam frigoríficos
Apesar da demanda firme e dos preços mais altos em dólar, as margens do setor ficaram sob pressão no primeiro trimestre. O BofA aponta alta nos custos de produção, especialmente na pecuária.
Os preços do gado no Brasil subiram 5,8% na comparação anual e 6,3% frente ao trimestre anterior. Com isso, as margens de exportação de carne bovina recuaram quase 5 pontos percentuais no período.
No frango, o cenário foi mais equilibrado. Os custos de ração, que representam 63% do total, caíram 9% no trimestre e ajudaram a sustentar margens mais estáveis.
“Apesar de preços mais altos em dólar, a valorização do real e os custos mais elevados têm pressionado as margens, especialmente na carne bovina”, diz o relatório.
O avanço das proteínas ocorre junto a uma oferta robusta de grãos. As exportações brasileiras de soja cresceram 6% no primeiro trimestre, para 29,6 milhões de toneladas, enquanto os embarques de milho subiram 15%.
A China importou 16,2 milhões de toneladas de soja brasileira no período. O volume representa queda anual de 5%, mas avanço de 27% frente ao trimestre anterior, movimento atribuído à sazonalidade da colheita.
Para o BofA, o desafio será manter o ritmo diante de comparações mais exigentes e riscos adicionais. O banco cita quatro pontos de atenção: restrições chinesas, ciclo pecuário no Brasil, reequilíbrio global da oferta de frango e possíveis impactos logísticos e de demanda ligados à guerra no Irã.
O relatório avalia que o Brasil segue como peça central no abastecimento global de alimentos, mas entra em um ciclo menos dependente de expansão de margens e mais ligado à eficiência operacional e à gestão de riscos.
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