China pede fim das tarifas dos EUA após decisão da Suprema Corte
A China pediu nesta segunda-feira, 23, que os Estados Unidos cancelem as novas tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump.
O pedido ocorre após a Suprema Corte americana considerar ilegais grande parte das taxas impostas com base na Lei de Poderes para Emergências Econômicas Internacionais (IEEPA), de 1977.
A decisão provocou a fúria de Trump, que em um primeiro momento anunciou uma tarifa global de 10% com base em outra lei, antes de elevar a taxa no sábado para 15%.
O Ministério do Comércio chinês afirmou nesta segunda-feira que está fazendo uma "ampla avaliação" do impacto da decisão e pediu a Washington que suspenda as tarifas.
"A China pede aos Estados Unidos que cancelem suas tarifas unilaterais contra seus parceiros comerciais", afirmou o ministério em um comunicado. "Não há vencedores em uma guerra comercial e o protecionismo não leva a lugar nenhum".
Suprema Corte impõe revés a Trump
A decisão foi vista como uma repreensão inesperada ao governo, já que o tribunal havia apoiado diversas medidas adotadas por Trump desde seu retorno ao poder no ano passado. O julgamento anulou a principal iniciativa econômica do presidente.
Horas depois do veredicto, Trump anunciou uma tarifa global de 10% sobre bens estrangeiros, com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite a imposição de tarifas por até 150 dias sem aprovação do Congresso.
No sábado, 21, o presidente elevou a alíquota para 15%. Em publicação na rede Truth Social, classificou a decisão da Suprema Corte como “ridícula, mal redigida e extraordinariamente antiamericana” e afirmou que assinaria ordem para impor a nova tarifa imediatamente.
A nova taxa de 15% deve começar a valer na terça-feira, 24, e permanecer por pelo menos 150 dias, com exceções para alguns produtos.
O Ministério das Relações Exteriores da China informou que acompanha “de perto” eventuais medidas para manter as tarifas além do prazo inicial.
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, declarou no domingo que os acordos de seu país com a China, a União Europeia e outros parceiros permanecerão em vigor apesar da decisão.
Brasil foi alvo de tarifa de 50%
O Brasil esteve entre os países atingidos pelas tarifas anunciadas por Trump desde janeiro do ano passado. Em julho, o percentual básico aplicado ao país foi elevado para 50%, com o objetivo declarado de pressionar o cancelamento do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A taxa inicialmente alcançou todos os itens, mas depois passou a ter exceções, como aeronaves e peças. Após semanas de impasse, o tema foi tratado em conversas de bastidores e em encontro entre Trump e o presidente Lula nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU.
Segundo cálculo da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham), feito após a última redução de tarifas, 62,9% dos produtos brasileiros exportados aos EUA ainda são alvo de alguma tarifa extra, seja de 10%, 40% ou 50%.
Investigação comercial continua
Apesar da decisão judicial, o governo americano informou que seguirá com as investigações comerciais em andamento com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, incluindo aquelas que envolvem Brasil e China.
Em nota, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) afirmou que, se as investigações concluírem pela existência de práticas comerciais desleais, tarifas podem ser impostas como medida corretiva.
A investigação contra o Brasil foi aberta em julho do ano passado e mencionava temas como Pix, redes sociais, desmatamento ilegal e práticas de corrupção. O processo não tem prazo previsto para conclusão.
*Com informações da AFP
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