China sobe tom e faz ameaça se a Europa adotar plano de defesa da indústria

Por Da redação, com agências 28 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
China sobe tom e faz ameaça se a Europa adotar plano de defesa da indústria

A China criticou nesta segunda-feira, 27, um plano da União Europeia (UE) para resguardar a indústria do bloco contra a forte concorrência do país asiático e prometeu adotar medidas de represálias se a iniciativa for adotada.

No domingo, 26, Pequim já havia criticado a UE depois que empresas chinesas terem sido incluídas em uma lista de sanções relacionada à Guerra da Ucrânia.

A UE apresentou, em março, suas regras "Made in Europe" para empresas que buscam acesso a fundos públicos em setores estratégicos, como automóveis, tecnologia verde e aço, obrigando as companhias a incorporar um mínimo de componentes europeus.

A proposta faz parte de um esforço da UE para recuperar sua vantagem competitiva, reduzir o declínio industrial e evitar a perda de empregos.

O Ministério do Comércio chinês informou nesta segunda-feira que enviou comentários à Comissão Europeia para expressar "preocupações sérias" sobre o que qualificou de "discriminação sistêmica".

"Se a UE (...) avançar com esta legislação e, portanto, prejudicar os interesses das empresas chinesas, a China não terá outra opção exceto adotar represálias para salvaguardar firmemente os direitos e interesses legítimos de suas empresas", afirmou o ministério em comunicado.

Várias empresas europeias expressaram preocupação com a concorrência desleal de seus rivais chineses, fortemente subsidiados.

A proposta europeia tem como alvo os fabricantes chineses de baterias e veículos elétricos ao exigir que empresas estrangeiras se associem a companhias europeias e transfiram tecnologia quando se instalam no bloco.

A Câmara de Comércio Chinesa na UE já disse que o plano representa uma guinada em direção ao protecionismo, o que afetará a cooperação comercial entre a Europa e a China.

Sanções pela Ucrânia

No domingo, 26, a China havia ameaçado represálias à União Europeia (UE) depois que Bruxelas incluiu várias empresas do gigante asiático em seu 20º pacote de sanções devido à invasão russa da Ucrânia.

"A China tomará as medidas necessárias para proteger de forma decidida os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas, e a UE arcará com todas as consequências", indicou um porta-voz do Ministério do Comércio chinês em um comunicado publicado na noite de ontem no site oficial da instituição.

O porta-voz falou do "forte descontentamento" de Pequim com a decisão, e acusou Bruxelas de "ignorar as repetidas queixas e a oposição" do seu país: "Esta iniciativa por parte da UE vai contra o espírito de consenso alcançado pelos líderes da China e da UE, e prejudica gravemente a confiança mútua e a relação bilateral".

"A China exige que a UE exclua imediatamente as empresas e cidadãos chineses da lista de sanções (...), e que se encontrem soluções para as respectivas preocupações por meio do diálogo e de consultas", acrescentou o porta-voz do Comércio.

Nesta semana, as autoridades comunitárias revelaram os detalhes do último pacote de sanções, que inclui 16 entidades de países terceiros - não apenas a China, mas também os Emirados Árabes Unidos, Uzbequistão, Cazaquistão e Belarus - que forneceram sistemas de armamento ou bens de dupla utilização (civil e militar) à Rússia.

Além disso, Bruxelas coloca na mira 28 entidades situadas na China, incluindo Hong Kong, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Tailândia, às quais acusa de "oferecer apoio direto ou indireto ao complexo militar-industrial da Rússia" ou de "estar envolvidas na evasão de sanções".

Este protesto ocorreu apenas um dia depois de o próprio Ministério do Comércio chinês suspender as sanções que havia imposto em agosto de 2025 contra dois bancos lituanos, após a UE anular as medidas que aplicava a duas pequenas entidades regionais chinesas depois que estas interromperam seus negócios com a Rússia.

Desde o início do conflito na Ucrânia, Pequim tem adotado uma postura ambígua, pedindo diálogo entre as partes em conflito, mas sem condenar expressamente a invasão russa nem se somar às sanções impostas pelo Ocidente, ao mesmo tempo em que aprofunda seus intercâmbios com Moscou.

Com AFP e EFE.RE

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