Choque no alumínio pode levar preço do metal a US$ 4 mil por tonelada

Por Ana Luiza Serrão 20 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Choque no alumínio pode levar preço do metal a US$ 4 mil por tonelada

A guerra no Irã tirou o alumínio de um cenário de equilíbrio para um choque de oferta que já empurra os preços na direção dos US$ 4.000 por tonelada, com impacto direto sobre preços, margens e riscos.

Como o alumínio é um insumo básico para setores como automotivo, construção e embalagens, uma alta prolongada tende a pressionar e reacender custos ao longo de toda a cadeia, segundo informações da Bloomberg.

Ataques a fundições

De um lado, o fechamento do Estreito de Ormuz travou a logística de matérias-primas essenciais. Do outro, ataques diretos a fundições nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein derrubaram a produção.

Uma das maiores plantas da região dos Emirados precisou interromper completamente as operações após um ataque do Irã no fim de março, com previsão de retomada que pode levar até um ano.

Mesmo antes dos bombardeios, o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo global, já começava a estrangular a cadeia.

O comprometimento da rota levou ao corte nos estoques de alumina, material que as fundições do Golfo, com capacidade instalada de 6 milhões de toneladas por ano, utilizam para a produção.

No Catar, a Qatalum anunciou em 12 de março um corte de 40% na produção. Três dias depois, a Aluminium Bahrain informou a redução de cerca de um quinto de sua capacidade.

O peso do Golfo

Os países do Conselho de Cooperação do Golfo — Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar e Omã — respondem juntos por mais de 6 milhões de toneladas de alumínio por ano.

A região exporta a maior parte do que produz, e cerca de 25% de todo o alumínio importado pela União Europeia vem de países do Golfo, fazendo que Europa e América do Norte fiquem expostas a interrupções.

Já os prêmios cobrados pela entrega física de uma forma processada do alumínio, conhecida como billet, subiram mais de 90% na Europa, nas seis semanas após o início das hostilidades, conforme o Fastmarkets.

O alumínio também entrou em situação de "backwardation", isto é, quando o preço à vista supera o preço futuro, indicando que a demanda está superando a oferta disponível no curto prazo.

Alternativas na indústria

Fabricantes de autopeças no Japão e na Coreia do Sul entraram em negociações com um produtor russo de alumínio para tentar garantir o abastecimento de ligas primárias de fundição, cujo Oriente Médio era o principal fornecedor.

Além do setor automotivo, cresce a preocupação com o alumínio de alta pureza usado em aplicações militares, de acordo com dados divulgados pela Bloomberg.

No caso das produtoras, a Alba já reduziu a produção de alumínio de maior valor agregado para focar em produtos mais básicos, que oferecem maior flexibilidade em um ambiente de incerteza.

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