Gerando Falcões cria agência para levar a favela ao trabalho formal

Por Letícia Ozório 17 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Gerando Falcões cria agência para levar a favela ao trabalho formal

A Gerando Falcões anunciou a transformação do Conecta Trampo, seu programa de empregabilidade, em uma agência de empregos voltada à inclusão produtiva de jovens e adultos das favelas e periferias.

A iniciativa, divulgada com exclusividade para a EXAME, já conta com mais de 40 mil pessoas qualificadas e parceria com cerca de 100 empresas em todo o país.

O novo modelo busca fortalecer a conexão entre profissionais formados em territórios vulneráveis e oportunidades de trabalho, em um contexto de dificuldade generalizada de contratação no Brasil. Dados recentes indicam que seis em cada dez empresas enfrentam desafios para contratar ou reter profissionais, segundo a FGV, cenário que atinge setores como indústria, construção civil, varejo, tecnologia, logística e saúde.

De acordo com Edu Lyra, CEO e fundador da Gerando Falcões, o projeto vai além da intermediação tradicional de vagas. “Atuamos como uma agência de empregos completa e vamos além. Realizamos triagem, preparação, conexão e suporte durante e após a contratação. Todo esse tratamento individualizado contribui para reduzir as barreiras estruturais enfrentadas por jovens e adultos de periferias no processo de inserção profissional”, explica.

A consolidação do Conecta Trampo como agência de empregos também está alinhada a uma meta de longo prazo da organização: levar 1 milhão de pessoas da pobreza para a dignidade em 10 anos.

Desafio estrutural de empregabilidade

A iniciativa surge em um cenário marcado por desigualdades no acesso ao trabalho. Segundo o Censo 2022 do IBGE, 16,39 milhões de pessoas vivem em favelas e comunidades urbanas no Brasil, o equivalente a 8,1% da população.

Os dados sobre inserção profissional nesses territórios indicam um quadro heterogêneo. Levantamento do Data Favela aponta que 53% dos moradores têm emprego com carteira assinada, enquanto 18% são autônomos e 17% atuam na informalidade.

Edu Lyra, da Gerando Falcões: pioneiro do empreendedorismo na base da pirâmide, quer levar 1 milhão de pessoas da pobreza para a dignidade em 10 anos (Leandro Fonseca/Exame)

Entre os jovens, o cenário é ainda mais desafiador. No município do Rio de Janeiro, 51% dos moradores de favelas entre 18 e 24 anos estavam desempregados, segundo levantamento da prefeitura. Em escala nacional, havia 10,3 milhões de jovens de 15 a 29 anos fora da escola e do trabalho em 2023.

Além disso, fatores como baixa escolaridade e exclusão digital impactam o acesso a oportunidades. Um estudo do Data Popular mostrou que a média de escolaridade nas favelas é de seis anos, enquanto outra pesquisa aponta que apenas 36% dos jovens de 15 a 29 anos em comunidades do RJ tinham internet em casa.

Modelo combina formação e impacto social

Criado como frente de inclusão produtiva da Gerando Falcões, o Conecta Trampo atua em diferentes etapas da formação profissional. A estrutura é organizada em três frentes:

Além da qualificação, o modelo inclui um mecanismo de financiamento com impacto social. A cada contratação realizada por meio da plataforma, as empresas contribuem com valores entre R$ 300 e R$ 450, destinados à formação de novos participantes.

Para Edu Lyra, a proposta busca evidenciar o potencial produtivo das periferias. “O Conecta Trampo se fortalece para provar que o maior ativo das comunidades é o talento das pessoas. Nosso negócio social conecta essa potência à demanda crescente do mercado por profissionais qualificados, com uma plataforma que mostra, na prática, impacto real e retorno social do investimento”, afirma.

A iniciativa aposta na redução de barreiras estruturais para ampliar o acesso ao emprego formal e conectar oferta e demanda em um mercado que enfrenta escassez de mão de obra qualificada.

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