Chuva de meteoros Líridas: pico é nesta madrugada — e você pode ver sem telescópio
Hoje à noite, quem tiver disposição para perder algumas horas de sono e olhar para o céu vai encontrar um espetáculo que se repete há pelo menos 2.700 anos. A chuva de meteoros Líridas atinge seu pico em 22 de abril, com a maior visibilidade nas madrugadas de 22 e 23.
O melhor horário para observação no Brasil é a partir das 2h da manhã, no horário de Brasília, quando o radiante (o ponto do céu de onde os meteoros parecem se originar) começa a se elevar no horizonte norte, próximo à estrela Vega, na constelação de Lira, segundo o astrônomo Dr. Marcelo De Cicco, do projeto EXOSS, parceiro do Observatório Nacional.
Em locais com baixa poluição luminosa, é possível ver entre 15 e 20 meteoros por hora. Embora não seja uma das chuvas mais intensas do calendário astronômico, as Líridas são conhecidas por meteoros rápidos e brilhantes, além de ocasionais picos inesperados.
O que causa o fenômeno
A chuva ocorre anualmente quando a Terra atravessa a nuvem de detritos deixada pelo cometa C/1861 G1 Thatcher, que tem período orbital de aproximadamente 415 anos, segundo o Observatório Nacional.
Os registros mais antigos do fenômeno remontam a 687 a.C., em anotações chinesas, tornando as Líridas uma das chuvas de meteoros mais antigas já documentadas pela humanidade.
Os fragmentos que cruzam o céu não são rochas gigantes: são pequenos e queimam totalmente antes de tocar o solo.
"É um espetáculo celeste sem nenhum risco para o nosso planeta ou para os dispositivos em órbita", afirma o professor de física Thiago Machado, do Colégio Católica Brasília, em declaração ao portal Juruá em Tempo.
Por que este ano é favorável
A condição lunar é especialmente boa em 2026. O pico das Líridas ocorre dois dias antes da fase de Quarto Crescente, com a Lua iluminada em cerca de 27%, segundo o Observatório Nacional.
O ocaso lunar acontece antes da ascensão do radiante, o que garante que as horas de maior atividade aconteçam sob céu completamente escuro — favorecendo a observação até mesmo dos meteoros mais fracos.
Como ver do Brasil
Observadores nas regiões Norte e Nordeste terão visibilidade mais favorável, pois o radiante estará mais elevado no céu, segundo o projeto EXOSS.
Nas regiões mais ao Sul, a taxa de meteoros visíveis será menor, mas ainda será possível acompanhar os traços mais intensos.
Nenhum equipamento especial é necessário. Basta um local afastado das luzes da cidade, um pedaço de céu aberto e disposição para perder algumas horas de sono. "Pode ser observada por qualquer pessoa que tenha uma visão razoável.
Não precisa de telescópios, câmeras nem qualquer equipamento especial", resume o astrônomo Carlos Zurita, da BRAMON, em declaração ao Olhar Digital. Aplicativos como Sky Safari e Stellarium ajudam a identificar a posição do radiante em tempo real.
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