Cidade do México está afundando — e a Nasa monitora o tamanho do problema
A Cidade do México está afundando a um ritmo alarmante. Dados recentes da Nasa indicam que algumas áreas da capital mexicana chegam a afundar mais de 2 centímetros por mês, uma das taxas mais altas do mundo.
O fenômeno, conhecido como subsidência, é monitorado em tempo real por meio do satélite NISAR, que permite detectar pequenas alterações na superfície terrestre com alta precisão.
O que está causando o afundamento da cidade
Em entrevista ao jornal The Guardian, o cientista Marin Govorčin afirmou que a taxa de extração supera a capacidade natural de reposição da água, agravando o problema ao longo do tempo.
Impactos já visíveis na cidade
Um dos exemplos mais conhecidos, e destacado no monitoramento da Nasa, é o monumento do Anjo da Independência, que precisou ter degraus adicionais construídos ao longo do tempo para compensar o rebaixamento do terreno ao redor.
O problema também afeta o abastecimento de água. Com o deslocamento do solo, tubulações se rompem com frequência, aumentando as perdas na distribuição.
Atualmente, cerca de metade da água consumida na capital mexicana vem de aquíferos subterrâneos. Segundo especialistas, o nível dessas reservas pode cair cerca de 40 centímetros por ano. Isso cria um ciclo crítico: quanto mais água é retirada, mais o solo se compacta e afunda, ampliando os danos à infraestrutura urbana.
Como a Nasa monitora o fenômeno
O satélite NISAR, desenvolvido em parceria entre a Nasa e a Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO), utiliza tecnologia de radar capaz de atravessar nuvens e vegetação, permitindo mapear alterações milimétricas na superfície terrestre.
Essa tecnologia oferece uma visão detalhada de como o solo se comporta ao longo do tempo e em diferentes regiões da cidade, ampliando a capacidade de monitoramento em áreas antes difíceis de analisar.
É possível evitar o afundamento?
O engenheiro Efraín Ovando Shelley avaliou que interromper completamente o processo é um grande desafio. A solução mais direta seria reduzir a extração de água subterrânea, mas isso esbarra na necessidade de abastecimento de uma população de mais de 20 milhões de pessoas.
Por enquanto, as medidas têm sido limitadas, como o reforço de fundações de edifícios históricos. Ainda assim, os dados do NISAR devem ajudar a ampliar a compreensão do problema e orientar políticas públicas mais eficazes. Além dos impactos urbanos, o avanço da subsidência levanta alertas sobre riscos futuros, incluindo agravamento da crise hídrica e danos estruturais mais amplos.
Para cientistas, o caso da Cidade do México serve como exemplo global de como a exploração intensiva de recursos naturais pode gerar consequências de longo prazo para grandes centros urbanos.
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