Cientistas alertam: pequena mudança poderia destruir a vida no Universo
A existência da vida pode depender de um equilíbrio extremamente delicado nas leis fundamentais da física. Pesquisadores da Queen Mary University of London propuseram que constantes físicas do Universo operam dentro de uma faixa estreita que permite o fluxo adequado de líquidos essenciais para organismos vivos.
O estudo, publicado em 2023 na revista Science Advances, e divulgado nesta sexta-feira, 8, no site ScienceDaily, investiga a relação entre viscosidade de líquidos e constantes fundamentais da física, como a constante de Planck e a carga do elétron. Segundo os autores, alterações de apenas alguns pontos percentuais nesses parâmetros poderiam inviabilizar processos biológicos complexos.
A pesquisa parte de trabalhos anteriores liderados pelo físico Kostya Trachenko, que identificaram uma ligação direta entre viscosidade e leis fundamentais da física. O novo estudo amplia essa análise para a biologia celular.
A viscosidade determina a facilidade com que um líquido escoa. Em organismos vivos, ela influencia o transporte de nutrientes, o movimento molecular e o funcionamento interno das células.
Segundo os pesquisadores, líquidos como água, sangue e fluidos celulares precisam manter propriedades específicas para sustentar a vida. Se a viscosidade fosse significativamente maior ou menor, processos biológicos poderiam deixar de funcionar.
“Se a água tivesse viscosidade semelhante à do alcatrão, a vida não existiria em sua forma atual ou talvez não existisse”, afirmou Trachenko no estudo.
Os cientistas afirmam que mudanças mínimas nas constantes fundamentais poderiam tornar o sangue humano excessivamente espesso ou fino para manter funções vitais.
Nova abordagem sobre o ajuste fino do Universo
O trabalho amplia o debate sobre o chamado “ajuste fino” do Universo. Em física, o conceito descreve a ideia de que constantes fundamentais parecem calibradas para permitir a formação de estrelas, elementos químicos e planetas.
Pesquisas anteriores concentravam-se principalmente em processos cósmicos, como reações nucleares no interior das estrelas. O novo estudo desloca o foco para a escala microscópica da vida celular.
Segundo os autores, mesmo que estrelas e elementos químicos continuassem existindo, organismos vivos poderiam não surgir caso líquidos biológicos não apresentassem propriedades adequadas de fluxo.
Pesquisas posteriores também passaram a explorar como viscosidade, difusão molecular e dinâmica de fluidos celulares podem impor limites adicionais às constantes da natureza.
Outros estudos publicados em 2023 indicaram que a viscosidade de líquidos pode estar associada a limites universais da física, e não apenas a propriedades observadas experimentalmente em laboratório.
Os pesquisadores afirmam que a hipótese ainda é teórica e não há consenso científico sobre a origem dos valores das constantes fundamentais do Universo. Ainda assim, o estudo abre uma nova linha de investigação sobre a relação entre física e biologia.
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