Cientistas criam robô que segue sons de baleias
Cientistas deram um novo passo para entender a comunicação de baleias ao desenvolver um robô subaquático capaz de rastrear, em tempo real, as vocalizações de cachalotes. A tecnologia permite acompanhar os animais por longos períodos no oceano, algo que antes era limitado por métodos tradicionais.
O sistema foi criado por pesquisadores do Projeto Ceti e utiliza um planador autônomo equipado com sensores acústicos para identificar e seguir os sons emitidos pelas baleias nas profundezas. Os resultados foram publicados na revista científica Scientific Reports.
Como funciona?
O equipamento funciona como um planador submarino que se desloca ajustando sua flutuabilidade — tornando-se mais pesado para descer e mais leve para subir. Durante esse movimento, o robô coleta dados e monitora o ambiente ao redor. A inteligência artificial é equipada com hidrofones, dispositivos capazes de captar sons subaquáticos.
Ao detectar os cliques característicos dos cachalotes, o sistema calcula a direção do som e ajusta automaticamente sua rota para seguir o animal. Segundo o estudo, o principal diferencial é a capacidade de tomar decisões ainda debaixo d’água, sem depender de análise posterior.
Como os cachalotes se comunicam
Os cachalotes utilizam sequências de cliques, conhecidas como “codas”, para se comunicar. Esses sons podem viajar por quilômetros e são essenciais para a vida social da espécie.
Apesar de estudados desde a década de 1950, esses animais ainda representam um desafio para a ciência. Eles mergulham a mais de 1.600 metros e podem permanecer submersos por cerca de 50 minutos, o que dificulta o monitoramento contínuo.
Monitoramento contínuo muda forma de estudar baleias
A principal inovação do sistema é a possibilidade de acompanhar a mesma baleia — ou grupo — por períodos prolongados, potencialmente por semanas ou até meses.
Antes, os métodos disponíveis permitiam apenas registros pontuais, com sensores fixos ou etiquetas temporárias que se desprendiam após poucos dias. Com o novo robô, os cientistas conseguem observar comportamentos ao longo do tempo, como interações sociais, coordenação e respostas ao ambiente.
O que isso muda para a ciência e conservação
O monitoramento contínuo pode ajudar a entender como filhotes aprendem a se comunicar, especialmente nas interações entre mães e crias.
Além disso, os dados permitem avaliar o impacto de atividades humanas — como navegação, pesca e exploração marítima — sobre o comportamento das baleias. Essas informações podem embasar decisões mais precisas, como limitar a velocidade de navios ou ajustar rotas em áreas sensíveis.
Apesar dos avanços, ainda há desafios. O robô consegue identificar a direção do som, mas não a localização exata da baleia, o que dificulta distinguir indivíduos. Outro ponto é que o equipamento precisa emergir periodicamente para enviar e receber dados, o que reduz a continuidade do monitoramento.
Mesmo assim, os pesquisadores consideram que a tecnologia representa uma mudança significativa na forma de estudar a vida marinha.
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