Cientistas descobrem como as pirâmides do Egito sobreviveram a séculos de terremotos

Por Maria Luiza Pereira 23 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Cientistas descobrem como as pirâmides do Egito sobreviveram a séculos de terremotos

As pirâmides do Egito atravessaram milênios, guerras, tempestades e terremotos praticamente intactas. Agora, um novo estudo científico revelou quais fatores estruturais ajudam a explicar por que a Grande Pirâmide de Gizé, conhecida como pirâmide de Quéops, consegue resistir tão bem aos tremores de terra.

A pesquisa foi liderada por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisa em Astronomia e Geofísica do Egito (NRIAG), com participação de outras instituições egípcias, e publicada na revista científica Scientific Reports.

Uma engenharia muito à frente do seu tempo

A Grande Pirâmide de Gizé foi construída há cerca de 4.600 anos e já enfrentou terremotos históricos, como os registrados em 1847 e 1992 no Egito. Mesmo assim, sua estrutura principal permaneceu praticamente intacta.

Segundo Mohamed ElGabry, principal autor do estudo, os antigos egípcios desenvolveram técnicas extremamente eficientes mesmo sem o conhecimento moderno de engenharia sísmica. “Os antigos construtores egípcios possuíam conhecimentos práticos e empíricos excepcionais, acumulados ao longo de gerações”, afirmou o pesquisador à agência EFE.

Os cientistas destacam, porém, que não existem evidências de que a pirâmide tenha sido projetada especificamente para resistir a terremotos. A intenção era criar uma estrutura extremamente estável e duradoura, algo que acabou gerando uma resistência sísmica impressionante como consequência.

O segredo está nas vibrações

Para entender o comportamento da pirâmide, os pesquisadores analisaram vibrações naturais em 37 pontos diferentes da construção, incluindo câmaras internas, passagens, blocos e o solo ao redor da estrutura.

O estudo mostrou que a pirâmide vibra naturalmente em cerca de 2,3 hertz, funcionando quase como um único bloco sólido. Essa uniformidade impede a formação de áreas frágeis que poderiam sofrer rachaduras durante terremotos. “Descobrimos que a maior parte da Grande Pirâmide vibra naturalmente a cerca de 2,3 vibrações por segundo. Isso indica que ela é extremamente bem construída e uniforme”, explicou ElGabry.

Estrutura sólida e distribuição inteligente

A própria forma da pirâmide também contribui para sua resistência. A maior parte da massa está concentrada perto da base, reduzindo o risco de tombamento e aumentando a estabilidade contra forças horizontais causadas pelos terremotos.

Além disso, milhões de blocos de pedra interligados ajudam a dissipar parte da energia sísmica. Os pesquisadores também apontam que a base de calcário extremamente rígida da região de Gizé funciona como uma fundação natural muito estável.

Outro detalhe importante envolve as chamadas câmaras de descarga acima da Câmara do Rei. Segundo o estudo, elas ajudam a reduzir a amplificação das vibrações internas, protegendo o núcleo da construção.

Um monumento pensado para durar eternamente

Os cientistas afirmam que a lógica usada pelos antigos egípcios era muito diferente da engenharia moderna. Hoje, muitos arranha-céus são projetados para serem flexíveis durante terremotos. Já a pirâmide de Quéops aposta no oposto: extrema rigidez estrutural.

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