Cientistas descobrem tratamento que faz câncer de cólon 'sumir' antes da cirurgia
Um curto ciclo de imunoterapia antes da cirurgia pode mudar o tratamento do câncer de cólon. Um estudo liderado pela University College London mostrou que pacientes permaneceram livres da doença por quase três anos após receber o medicamento antes do procedimento.
A pesquisa acompanhou pessoas com câncer colorretal em estágio 2 ou 3 tratadas com pembrolizumabe antes da cirurgia. Após cerca de 33 meses de monitoramento, nenhum participante apresentou retorno da doença.
Os resultados, apresentados na Reunião Anual da Associação Americana para Pesquisa do Câncer (AACR) e divulgados pelo ScienceDaily nesta quarta-feira, 6, indicam uma possível mudança em relação ao tratamento tradicional, que costuma combinar cirurgia com meses de quimioterapia.
Como funciona a imunoterapia?
O estudo analisou 32 pacientes com um tipo específico de câncer de intestino associado a alterações no DNA das células tumorais. Os participantes receberam até nove semanas de imunoterapia antes da cirurgia, com o objetivo de estimular o sistema de defesa do corpo a atacar o tumor ainda presente.
Após o tratamento, muitos pacientes tiveram redução significativa do tumor — e, em vários casos, a doença deixou de ser detectada nos exames.
Pacientes ficam sem câncer por quase 3 anos
Os dados mostram que 59% dos pacientes não apresentavam sinais detectáveis da doença após o tratamento e a cirurgia. O resultado mais relevante veio no acompanhamento: mesmo entre aqueles que ainda tinham pequenos vestígios do tumor, não houve crescimento nem "espalhamento" ao longo do período analisado.
Isso contrasta com o tratamento padrão, no qual cerca de 25% dos pacientes com câncer de cólon podem ter a doença de volta em até três anos. Segundo o oncologista Kai-Keen Shiu, responsável pelo estudo, os resultados reforçam o potencial da imunoterapia em pacientes com maior risco de progressão.
Exame de sangue pode prever resposta ao tratamento
Os pesquisadores também desenvolveram testes personalizados capazes de detectar sinais mínimos da doença na corrente sanguínea. Segundo a equipe, quando esses sinais desaparecem, as chances de o paciente continuar livre do câncer aumentam significativamente.
Além disso, a análise do perfil do tumor antes do início do tratamento pode ajudar a prever quais pacientes terão melhor resposta.
Perfil dos pacientes
O estudo focou em um grupo específico de câncer colorretal ligado a alterações genéticas que tornam o tumor mais sensível à imunoterapia. Esse tipo representa cerca de 10% a 15% dos casos em estágio intermediário, o que indica que a estratégia ainda não se aplica a todos os pacientes.
Diante disso, os especialistas destacam que ainda são necessários estudos mais amplos para confirmar os benefícios e definir como a abordagem pode ser aplicada na prática clínica. Ainda assim, os resultados reforçam o potencial da imunoterapia como uma alternativa promissora para reduzir a recidiva e melhorar os desfechos no tratamento do câncer de cólon.
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