Cientistas identificam maior escorpião já registrado, com mais de um metro

Por Ana Dayse 13 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Cientistas identificam maior escorpião já registrado, com mais de um metro

Fósseis encontrados no Reino Unido permitiram a identificação do maior escorpião já registrado pela ciência. A espécie, batizada de Praearcturus gigas, viveu há cerca de 415 milhões de anos, durante o período Devoniano Inicial, e alcançava mais de 1 metro de comprimento.

A descoberta foi detalhada em um estudo publicado na revista científica Palaeontology. A identificação foi possível após a reanálise de fósseis preservados há mais de um século no Museu de História Natural de Londres. Os pesquisadores combinaram esses exemplares com fósseis descobertos recentemente para reconstruir a anatomia do animal de forma mais completa

Com pinças de aproximadamente 16 centímetros e porte muito superior ao dos escorpiões atuais, o animal estava entre os maiores artrópodes terrestres já identificados. Já os maiores escorpiões vivos atualmente atingem cerca de 23 centímetros de comprimento total.

Fósseis eram conhecidos há mais de 100 anos

O Praearcturus gigas foi descrito pela primeira vez em 1871 pelo paleontólogo Henry Woodward. Na época, os fósseis encontrados foram interpretados como pertencentes a um grande crustáceo.

Essa classificação permaneceu por décadas e influenciou até mesmo o nome da espécie. O termo "Arcturus" faz referência a um grupo de crustáceos ainda existente.

A partir dos anos 1980, pesquisadores passaram a considerar a possibilidade de que os fósseis fossem de um escorpião primitivo. No entanto, a falta de exemplares completos impedia uma confirmação definitiva.

Segundo Richard Howard, autor principal do estudo e curador de fósseis artrópodes do Museu de História Natural de Londres, a identificação do Praearcturus gigas como o maior escorpião já encontrado pode mudar o entendimento sobre a evolução dos artrópodes terrestres.

“Quando pensamos em artrópodes gigantes, as pessoas tendem a pensar em enormes milípedes como o Arthropleura ou nos grifinflies, semelhantes às libélulas”, afirma Howard. “Mas essas espécies viveram no período Carbonífero, pelo menos 55 milhões de anos depois de Praearcturus, quando os ecossistemas terrestres já tiveram tempo para se desenvolver.”

Descoberta de espécie no Canadá ajudou a solucionar o caso

A identificação foi reforçada após a descrição de um escorpião fóssil encontrado no Canadá em 2015, denominado Eramoscorpius.

O exemplar canadense apresentava uma estrutura anatômica preservada que serviu de base para a nova análise: o esterno, uma placa localizada na parte inferior do corpo.

Os pesquisadores verificaram que o Praearcturus gigas possuía o mesmo esterno triangular alongado, com um sulco central característico. Como as duas espécies viveram em períodos semelhantes e compartilham essa característica anatômica, os cientistas concluíram que o animal britânico também era um escorpião.

Segundo os autores do estudo, essa evidência elimina as dúvidas sobre sua classificação.

Um dos maiores predadores do início da vida terrestre

O escorpião gigante viveu em uma época em que a ocupação do ambiente terrestre ainda estava em seus estágios iniciais.

Há 415 milhões de anos, os ancestrais de répteis, mamíferos e aves ainda não haviam deixado os ambientes aquáticos. Com poucos competidores e praticamente nenhum predador terrestre de grande porte, o Praearcturus gigas ocupava uma posição dominante nos ecossistemas da época.

Os cientistas envolvidos no estudo acreditam que justamente a ausência de grandes predadores pode ter favorecido sua evolução para tamanhos incomuns.

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