Cientistas usam DNA nas fezes desse animal para salvá-lo da extinção
Uma das pistas para salvar o marsupial mais raro do mundo pode estar nas fezes dele. Pesquisadores da Edith Cowan University, na Austrália, usaram DNA encontrado em fezes para estudar a dieta do Gilbert’s potoroo, um marsupial ameaçado de extinção que vive apenas na Austrália Ocidental, com menos de 150 animais na natureza.
O objetivo do estudo é identificar áreas com alimento adequado para futuras translocações e criação de populações de segurança. A equipe analisou amostras de fezes com eDNA metabarcoding, técnica molecular que permite identificar o que os animais comem sem interferir diretamente no comportamento deles.
O método foi aplicado para identificar fungos consumidos pelo Gilbert’s potoroo. Segundo Rebecca Quah, doutoranda da universidade, dietas de mamíferos que comem fungos são difíceis de estudar porque muitos fungos ainda não foram descritos pela ciência.
Outros mamíferos podem indicar solução
A equipe comparou a dieta do Gilbert’s potoroo com a de outros marsupiais locais como quokkas, quendas e ratos-do-mato. Os pesquisadores encontraram sobreposição na dieta dos quatro mamíferos. Também observaram semelhança no uso de habitat entre quokkas e potoroos.
Com base nos resultados, a recomendação dos cientistas é priorizar áreas onde as três espécies coexistem como indicador de alimento ou habitat para futuras translocações.
Espécie foi redescoberta em 1994
O Gilbert’s potoroo chegou a ser considerado extinto antes de ser redescoberto em 1994. Após a redescoberta, houve tentativa de reprodução em cativeiro, mas o processo não funcionou devido à seletividade da espécie em relação aos alimentos.
Em 2015, um incêndio destruiu 90% do habitat natural em Two Peoples Bay, reserva na Austrália que abriga a única população da espécie. A busca por novos locais de translocação é uma etapa importante para a recuperação do Gilbert’s potoroo.
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