Com vendas em queda, dona do Ozempic aposta no Wegovy fora dos EUA
A Novo Nordisk, dona do Ozempic, projeta queda de 4% a 12% nas vendas e nos lucros neste ano, mas anuncia, ao mesmo tempo, que vai expandir o Wegovy em comprimido para fora dos Estados Unidos ainda em 2026.
Preços menores nos EUA e a chegada de genéricos em mercados relevantes como Brasil, Índia, Canadá e China estão corroendo as margens. Isso em um momento em que a rival Eli Lilly, dona do Mounjaro, projeta crescimento de 28% nas vendas em igual período.
Tudo isso explica a aposta da Novo no Wegovy. O medicamento contra a obesidade em comprimido chegou ao mercado estadunidense em janeiro e, em poucos meses, já acumulou mais de dois milhões de receitas médicas.
O comprimido custa menos que a versão injetável do Wegovy e as vendas superaram as expectativas no primeiro trimestre.
Wegovy: principal marca de emagrecimento?
Analistas do Nordea afirmaram que o Wegovy está se tornando a principal marca de emagrecimento nos EUA com base em dados do Google Trends, que acompanha a tendência de prescrições.
Mas o bom desempenho do comprimido nos EUA ainda não é suficiente para compensar a pressão sobre o restante do portfólio. Por isso, a Novo decidiu acelerar a expansão global, segundo especialistas.
O vice-presidente executivo de operações internacionais da empresa, Emil Kongshøj Larsen, explicou à CNBC que a expansão será total. "Quando lançarmos, vamos com tudo. É uma oportunidade enorme."
A empresa não revelou quais países virão primeiro, mas afirmou que seguirá o potencial de cada mercado, considerando o interesse dos pacientes no tratamento da obesidade, o nível de capacitação dos médicos e a existência de parceiros de telessaúde.
Além disso, mesmo em países com saúde pública universal como a Dinamarca, 99% dos pacientes que usam remédios para obesidade pagam do próprio bolso. Isso significa que a expansão não depende necessariamente da cobertura pelo sistema público, o que agiliza o caminho para a receita.
Mercado fora dos EUA será mais seletivo
Outro ponto é que o analista do Sydbank, Soren Hansen, vê que o lançamento fora dos EUA deve ser mais seletivo do que o feito por lá e vai depender da capacidade da empresa de atender à demanda.
Ele destacou Reino Unido, Alemanha e a própria Dinamarca como os mercados europeus mais prováveis para os primeiros lançamentos. Só que a curva de adoção internacional não deve repetir o mesmo ritmo visto nos EUA devido ao preço.
Em outros países, o comprimido vai concorrer com versões injetáveis que já custam menos do que nos EUA, o que pode tornar a migração menos atraente para os pacientes.
"Não estamos detalhando nossa estratégia de preços por enquanto, mas nos EUA há um produto fantástico e também um ponto de preço diferente em comparação com os tratamentos injetáveis", explicou Larsen.
Dona do Mounjaro já colhe frutos no exterior
Por outro lado, enquanto a Novo prepara sua expansão, a Eli Lilly já colhe resultados fora dos EUA. A receita internacional da empresa saltou 81% no primeiro trimestre, para 7,7 bilhões de dólares, com volume crescendo 95%. E, nos próprios EUA, a receita avançou 43%, para 12,1 bilhões de dólares.
No mercado de pílulas, a Lilly lançou o Foundayo em abril, com princípio ativo diferente do Wegovy comprimido. Até o fim daquele mês, mais de 20 mil pessoas haviam começado o tratamento, número bem abaixo dos dois milhões de receitas do Wegovy no período comparável.
O CEO David Ricks pediu paciência ao mercado. "Nossa curva vai ser um pouco diferente porque é uma nova marca, uma nova molécula. Isso vai se desenrolar ao longo de trimestres, não de dias."
No primeiro trimestre, o mercado global de GLP-1 para emagrecimento movimentou US$ 20,4 bilhões.
O Mounjaro lidera com US$ 8,6 bilhões; seguido pelo Ozempic, com US$ 4,3 bilhões; e pelo Zepbound, com US$ 4,1 bilhões. O Wegovy injetável, US$ 2,8 bilhões, enquanto o comprimido, em seu primeiro trimestre completo, US$ 355 milhões.
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