Circuit breaker: Guerra no Irã leva bolsas à paralisação em 2026; entenda

Por Ana Luiza Serrão 10 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Circuit breaker: Guerra no Irã leva bolsas à paralisação em 2026; entenda

O ano de 2026 mal começou e já vem sendo marcado por instabilidade nos mercados financeiros mundiais. A escalada da guerra no Irã e dos conflitos no Oriente Médio aumentam não só o preço do barril de petróleo, como também intensifica a aversão ao risco.

Esse cenário levou ao acionamento do circuit breaker em algumas bolsas ao redor do mundo, mecanismo usado para interromper temporariamente as negociações em momentos de queda abrupta.

A bolsa da Coreia do Sul precisou suspender o pregão no último dia 4, após o seu principal índice, Kospi, cair mais de 12%. Dependente da importação de energia, o país sofre com a alta do petróleo.

Nesta segunda-feira, 9, o Kospi recuou recuou 8%, levando a Korea Exchange (KRX) a um novo circuit breaker.

A volatilidade também atingiu a bolsa de valores da Tailândia no dia 4. O índice SET teve queda de aproximadamente 8%, acionando uma interrupção de, em média, 30 minutos.

Outras grandes bolsas globais registraram perdas ao longo dos últimos dias desde a escalada do conflito no Oriente Médio, mas sem atingir os limites para ativar o mecanismo.

O que é o circuit breaker?

O circuit breaker é um procedimento que interrompe temporariamente as negociações em momentos de volatilidade extrema nas bolsas de valores pelo mundo.

Na prática, ele funciona como um freio de emergência do mercado. A pausa permite que investidores analisem o cenário com mais calma antes de tomar decisões.

O mecanismo foi criado nos Estados Unidos (EUA) após a crise da Black Monday de 1987, quando o índice Dow Jones Industrial Average despencou 22,6% em um único dia.

Na ocasião, outras bolsas pelo mundo também registraram quedas históricas, fazendo com que os demais reguladores passassem a adotar pausas automáticas nas negociações.

Como funciona na bolsa brasileira?

O circuit breaker é acionado apenas em quedas. No Brasil, as regras são definidas pela B3, baseadas na variação do Índice Bovespa (Ibovespa) e divididas em estágios.

O efeito psicológico no mercado

Segundo análise do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), o circuit breaker tem um papel psicológico importante para os investidores.

A pausa ajuda a conter o pânico e evitar que movimentos irracionais provoquem uma reação em cadeia no mercado.

Historicamente, o mecanismo já foi acionado no Brasil em momentos de forte turbulência, com destaque na crise asiática de 1997, na crise financeira russa de 1998 e na crise financeira global de 2008.

Mais recentemente, em março de 2020, a combinação da pandemia de covid-19 com a queda do petróleo levou a B3 a acionar o mecanismo seis vezes em apenas dez dias.

O que o investidor deve fazer?

Os analistas do BTG Pactual indicam que a principal recomendação, em um circuit breaker, é manter a calma em meio aos picos de volatilidade.

Eles pontuam que o período de pausa deve ser usado para revisar as carteiras e avaliar se elas estão alinhada aos perfis de risco dos investidores.

Manter disciplina e foco na estratégia de longo prazo costuma ser a melhor forma de atravessar períodos de turbulência no mercado, explicam.

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