Citi reduz 'target' do Nubank e troca de CFO surpreende o investidor; ação cai 8%

Por Mitchel Diniz 2 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Citi reduz 'target' do Nubank e troca de CFO surpreende o investidor; ação cai 8%

Ao contrário do que foi publicado anteriormente pela EXAME, o Citi não rebaixou as ações do Nubank de "compra" para "neutra". O banco mantém sua recomendação, reduzindo somente o preço-alvo do ativo para US$ 18 e não US$ 12, como reportado na nota anterior. O texto corrigido, a seguir, é uma republicação com as informações corretas.

O Citi reduziu o preço-alvo das ações do Nubank de US$ 22 para US$ 18, mas manteve a recomendação de compra. Com as ações negociadas a US$ 12,99 no fechamento de 1º de junho, o novo target implica potencial de valorização de 38,6%.

No relatório, os analistas Gustavo Schroden, Brian Flores e Arnon Shirazi argumentam que a estratégia do Nubank prioriza crescimento e expansão da receita líquida de juros em detrimento da minimização do custo de risco. A abordagem pode pressionar as margens ao longo do ciclo de crédito.

Um dos pontos centrais do relatório é a alta correlação — de cerca de 90%, segundo análise do próprio Citi — entre o crescimento da carteira de crédito e o custo de risco do Nubank. Como o banco segue acelerando os empréstimos mesmo num ambiente macroeconômico adverso, o custo de risco deve permanecer elevado ao longo de 2026, ainda que moderando em relação ao pico do primeiro trimestre.

Os analistas também destacam que, apesar da alta dos juros, o Nubank não repassou de forma significativa taxas mais elevadas aos clientes, o que limita qualquer melhora na margem ajustada ao risco à evolução do próprio custo de risco.

Resultados do 1T26

O lucro do Nubank cresceu 41% no primeiro trimestre de 2026, para US$ 871 milhões em base FX neutro, com receita total de US$ 5,32 bilhões — a primeira vez na história da companhia que a linha ultrapassa US$ 5 bilhões em um único trimestre. Ainda assim, as ações chegaram a cair 12% na noite em que os números foram divulgados, em 14 de maio.

As provisões para perdas com crédito avançaram 38% na comparação trimestral e vieram acima do esperado pelos analistas. O estoque de provisões encerrou o trimestre em US$ 6,1 bilhões, alta de US$ 799 milhões em relação ao final de 2025.

BTG substitui Nubank por Itaú na carteira de junho

Em sua revisão mensal de carteiras, o BTG Pactual retirou o Nubank e colocou o Itaú Unibanco (ITUB4) em seu lugar na seleção das dez principais apostas para junho, com peso de 15%. O banco justificou a troca pela capacidade do Itaú de navegar em ciclos de crédito mais complexos.

A movimentação reflete um reposicionamento mais defensivo diante de um cenário macroeconômico desafiador, com a inflação projetada em 5% em 2026 e o mercado revisando as expectativas de corte da Selic. Apesar da saída do papel da carteira, o BTG mantém recomendação de compra para as ações do Nubank e afirmou que a fintech segue bem posicionada para atravessar o ciclo de crédito mais adverso.

Lago deixa o comando financeiro após sete anos

Na segunda-feira, 1º de junho, o Nubank anunciou a troca de seu diretor financeiro. Guilherme Lago, que está no banco há sete anos e foi CFO por cinco, deixará o cargo e passará a atuar como conselheiro especial da diretoria executiva e integrante do comitê de auditoria e riscos. O período de transição vai até 31 de agosto. Segundo o Brazil Journal, Lago e o CEO David Vélez vinham discutindo a saída há meses, e o executivo decidiu deixar o cargo para empreender, embora ainda sem planos concretos.

No lugar de Lago, o Nubank nomeou Rob Livingston, executivo com mais de três décadas no setor financeiro. Livingston era CFO da operação norte-americana da Visa, principal unidade de negócios da empresa, onde acumulou passagens pela China, Canadá e Europa. Antes da Visa, trabalhou por 18 anos na Capital One, onde ocupou cargos como presidente da operação canadense e CFO divisional. É graduado em Economia pela Universidade de Yale. Ele assume em 13 de julho.

BTG: mudança de CFO pegou mercado de surpresa e adiciona incerteza

Para os analistas do BTG Pactual, a troca de CFO surpreendeu. O banco afirmou ter recebido um grande volume de mensagens de investidores logo após a notícia se tornar pública — sinal de que a troca não estava no radar do mercado. Apesar de reconhecer que Livingston tem currículo sólido e as habilidades necessárias para o cargo, o BTG avaliou que a mudança adiciona uma camada de incerteza num momento já delicado para a tese de investimento, marcado por preocupações com a expansão nos Estados Unidos e com a qualidade dos ativos. Hoje, as ações do NU caem 8%,

O BTG ponderou que a maioria dos investidores acredita que os números do segundo trimestre serão razoáveis, mas concorda que as preocupações com qualidade de crédito não vão desaparecer tão cedo.

Na avaliação do banco, o Nubank pode precisar de dois ou três trimestres de bons indicadores de inadimplência e melhora nas margens ajustadas ao risco para "convencer" o mercado. O risco, no cenário adverso, é que a qualidade dos ativos decepcione ou o crescimento desacelere, o que poderia levar muitos investidores a simplesmente desistirem do papel.

Ainda assim, o BTG mantém recomendação de compra para as ações do Nubank, com preço-alvo de US$ 21,00, e argumenta que, negociando abaixo de 12 vezes o lucro estimado para 2027, o papel ainda representa uma das apostas de longo prazo mais sólidas no setor financeiro da América Latina.

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