Clima pesa e colheita da soja no Brasil é a mais lenta desde 2020/21
A colheita da soja 2025/26 no Brasil avançou, mas o ritmo ainda é o mais baixo dos últimos cinco anos. Dados da AgRural, consultoria agrícola, mostram que os trabalhos atingiram 30% da área cultivada no país, ante 21% na semana anterior e 39% no mesmo período do ano passado.
Segundo a consultoria, o avanço mais consistente na semana foi favorecido pelo tempo firme no Centro-Oeste.
Ainda assim, ressalta a AgRural, “o índice de colheita do Brasil ainda é o mais baixo para esta época do ano desde a safra 2020/21. Os motivos são plantio tardio, alongamento do ciclo das lavouras e chuvas durante a colheita, dependendo do estado ou da região.”
O levantamento também aponta que, no Rio Grande do Sul, que enfrenta estiagem, as chuvas registradas na semana passada foram bem-vindas às lavouras.
“A distribuição foi pouco uniforme, porém, e diversas áreas continuaram com umidade baixa no solo. Por isso, e considerando que grande parte das lavouras gaúchas ainda está em fase de enchimento de grãos, a safra do estado segue sob risco de quebra e à espera de mais chuva para frear as perdas”, afirma a AgRural.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a safra brasileira de soja em 178 milhões de toneladas. Se confirmada, a produção representará aumento de 3,8% em relação à temporada 2024/25. O dado foi divulgado no último levantamento da estatal, na semana passada.
El Niño no radar
O El Niño entrou no radar do agronegócio brasileiro e do mercado para a safra 2025/26. Segundo estimativas da StoneX, consultoria de commodities, a La Niña fraca instalada em outubro de 2025 deve perder intensidade ao longo do verão, com retorno à neutralidade do fenômeno El Niño–Oscilação Sul (ENSO) previsto para março deste ano.
Segundo a Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a possibilidade de formação de um El Niño aumentou para o trimestre setembro-outubro-novembro de 2026, com probabilidade de 61%.
O El Niño é um fenômeno climático global caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que altera os padrões de vento e a circulação atmosférica. Essas mudanças afetam diretamente o clima no Brasil e, consequentemente, a agricultura e o desempenho das safras.
No Sul do país, o El Niño costuma provocar chuvas acima da média, o que pode atrasar o plantio e a colheita, além de aumentar a incidência de doenças fúngicas e o encharcamento do solo. As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul são um exemplo recente desses impactos.
No Norte e no Nordeste, por outro lado, o fenômeno tende a reduzir as precipitações, favorecendo períodos prolongados de seca que afetam lavouras como milho, feijão e mandioca, além das pastagens destinadas à pecuária.
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