CloudWalk chega a R$ 7,16 bilhões em receita anualizada gerando R$ 10 milhões por funcionário
A fintech brasileira CloudWalk, dona da plataforma de pagamentos InfinitePay, encerrou 2025 com R$ 5,44 bilhões em receita, um crescimento de 104% em relação ao ano anterior em base neutra de câmbio. O lucro líquido chegou a R$ 602 milhões, alta de 90%, segundo dados divulgados pela companhia.
O crescimento acelerado ocorreu enquanto a empresa manteve uma estrutura enxuta: são 720 funcionários, o que representa cerca de R$ 10 milhões de faturamento por colaborador, um indicador incomum no setor financeiro.
O desempenho reforça a tese defendida pelo fundador e CEO Luis Silva de que a CloudWalk deixou de ser apenas uma fintech tradicional para operar como uma empresa de infraestrutura financeira baseada em inteligência artificial.
"Toda fintech diz que usa IA. Nós somos uma empresa de IA que, por acaso, opera no setor financeiro", afirmou o executivo.
Segundo a companhia, grande parte das operações internas já é conduzida por agentes autônomos de inteligência artificial, responsáveis por tarefas como desenvolvimento de software, aprovação de crédito, prevenção a fraudes, atendimento ao cliente e criação de campanhas de marketing.
Nesse modelo, humanos passam a atuar principalmente na definição de políticas e gestão de riscos, enquanto os sistemas automatizados executam as rotinas operacionais.
Escala incomum no setor financeiro
A empresa também destacou um marco atingido em julho de 2025: a receita anualizada ultrapassou R$ 5,8 bilhões, apenas seis anos depois de faturar R$ 11 milhões com o lançamento da InfinitePay, em 2019.
Isso representa uma taxa composta de crescimento anual de cerca de 186%.
A escalada contrasta com o padrão tradicional de fintechs, que frequentemente aumentam significativamente suas equipes à medida que expandem produtos e mercados.
Na CloudWalk, a aposta é que a automação baseada em IA permita crescimento sem aumento proporcional da estrutura.
Em 2025, a empresa iniciou sua expansão internacional com o lançamento do JIM.com, um aplicativo voltado a microempreendedores e trabalhadores autônomos nos Estados Unidos.
O serviço transforma smartphones em terminais de pagamento e oferece liquidação instantânea, permitindo que comerciantes recebam valores imediatamente após a venda.
Segundo a empresa, o produto ganhou adoção rápida e já conta com dezenas de milhares de lojistas nos 50 estados americanos.
A proposta do aplicativo vai além do processamento de pagamentos. A empresa descreve o sistema como um “agente financeiro autônomo”, capaz de identificar problemas em transações, monitorar fluxo de caixa e até criar páginas de vendas para comerciantes usando dados das próprias transações.
“Não tem painel, manual ou curva de aprendizado. O agente toca o negócio e o empreendedor toca a vida”, disse Silva.
Brasil continua como principal base
Apesar da expansão internacional, o Brasil segue sendo o principal mercado da companhia.
Em 2025, a InfinitePay saltou de 3 milhões para 6,3 milhões de empreendedores ativos, consolidando-se como um dos aplicativos financeiros mais usados por pequenos negócios no país. Em dezembro, o aplicativo foi o mais baixado da App Store brasileira.
No ano passado, a CloudWalk também recebeu do Banco Central licença plena de instituição de crédito, o que permite operar produtos financeiros de forma mais independente.
A empresa também obteve seu primeiro rating de crédito: AA-(bra) com perspectiva positiva, atribuído pela agência Fitch.
O plano de longo prazo da companhia é construir o que chama de “Self-Driving Finance” — um sistema financeiro no qual decisões operacionais são tomadas por agentes de inteligência artificial com intervenção humana mínima.
Nesse modelo, pagamentos, crédito, liquidação e parte das decisões financeiras seriam geridos automaticamente por sistemas baseados em IA.
Para a CloudWalk, essa arquitetura permitiria ampliar escala global sem repetir o modelo de crescimento intensivo em pessoal típico de bancos e fintechs tradicionais.
“A maioria das empresas desacelera à medida que cresce. Nós dobramos a receita com um time de 720 pessoas”, disse Silva. “O modelo está provado. Agora ele escala.”
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