Coca-Cola pelo mundo: a inusitada coleção de Priscila Pellegrini

Por Júlia Storch 23 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Coca-Cola pelo mundo: a inusitada coleção de Priscila Pellegrini

Objetos ganham significados para quem os dá. Até mesmo uma lata de refrigerante pode contar histórias. Para Priscila Pellegrini, CEO da Holding Clube, cada latinha e garrafinha de Coca-Cola espalhada pela casa conta um relato de viagem de sua família. O que começou como uma ideia despretensiosa durante a lua de mel virou um dos ícones mais queridos da casa.

Tudo começou logo após o casamento, quando Pellegrini e o marido, Luís, fizeram sua primeira grande viagem juntos — um roteiro de carro pela Califórnia, de San Diego a São Francisco. Na época, o filme O Resgate do Soldado Ryan havia acabado de ser lançado, e uma cena específica os marcou: um dos personagens guardava um pouquinho de areia de cada lugar que visitava como forma de recordar os momentos vividos.

“Meu marido sugeriu que fizéssemos algo parecido. Como não daria para pegar a terra de cada lugar, pensamos em colecionar algo que tenha representatividade no mundo todo”, diz Pellegrini. A resposta veio rápido: latas de Coca-Cola. Um produto presente em praticamente todo o planeta, com embalagens que variam entre países e idiomas.

Naquela viagem pela Califórnia eles pegaram a primeira latinha. Mas sem muito rigor. “Ela trazia os dizeres em inglês, mas não tinha muita caracterização de que era de São Francisco”, lembra Pellegrini. O projeto ainda engatinhava.

O pontapé inicial de verdade veio quando Luís retornou de uma viagem ao Japão com duas embalagens diferentes de Coca-Cola, uma delas com o líquido incolor. A partir daí, a coleção foi crescendo organicamente: uma latinha trazida de viagem de trabalho aqui, outra ali, e os roteiros a dois rendendo cada vez mais peças para as prateleiras.

Com o tempo, uma regra não escrita foi se estabelecendo: só valeriam as latas com escritos na língua oficial do país. “Dessa forma fica mais característico”, explica ­Pellegrini. Quando a latinha é comprada no aeroporto — às vezes a única opção —, o líquido precisa ser esvaziado para não vazar ou amassar na mala. “Existem esses pequenos desafios”, explica.

Com uma agenda cheia à frente da Holding Clube, a executiva atua próxima à operação dos mais de 300 projetos por ano do grupo, que incluem badalados eventos como os do Clube Nº1, com experiências como o Camarote Nº1, no Rio de Janeiro, o Réveillon Arcanjos Nº1 e a Área Nº1, no Tomorrowland Brasil.

Para além das latas colecionadas em outros países, a família também guarda edições especiais brasileiras, como latinhas comemorativas da Copa do Mundo, garrafinhas dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, compradas no Rio de Janeiro, e coleções temáticas, como a dos heróis da Marvel. “Ficamos meio enlouquecidos em busca desses personagens”, conta.

Entre todas as peças da coleção, as trazidas da viagem aos países nórdicos em 2024 ocupam um lugar especial. O roteiro para Noruega, Suécia e Finlândia foi planejado com anos de antecedência. Quando finalmente aconteceu no pós-pandemia, a filha mais nova já havia estudado finlandês no YouTube para a ocasião — um projeto infantil abandonado na adolescência, mas que diz muito sobre quanto a viagem era aguardada.

“A gente estava num momento de família muito legal, com todos dentro do mesmo espírito da viagem”, diz. A aurora boreal surgiu de surpresa, e dormir num hotel de gelo virou uma das experiências mais marcantes da família. A lata trazida de lá é uma das que mais se destacam na coleção, com sua coloração verde entre as vermelhas. “Eu olho e penso: ‘Puxa, que viagem legal!’.”

Curiosamente, Pellegrini admite não ser grande fã do refrigerante. “Para mim é mais o apelo emocional de olhar para aquela embalagem e falar: ‘Nossa, que legal aquela viagem, como foi legal aquilo!’. E recordar os momentos.” Já o marido e os filhos são declaradamente apaixonados por Coca-Cola. Hoje, com mais de duas décadas de histórias acumuladas nas prateleiras, a coleção já é tratada como patrimônio familiar. Na mudança para a nova casa, a primeira preocupação foi onde colocariam a coleção que se aproxima de 100 itens. O próximo destino sonhado é o Japão — e já há latinha reservada no roteiro.

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