Hapvida vai da maior queda à maior alta do Ibovespa: o que aconteceu?

Por Clara Assunção 20 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Hapvida vai da maior queda à maior alta do Ibovespa: o que aconteceu?

As ações da Hapvida (HAPV3) protagonizaram uma reviravolta no pregão desta quinta-feira, 19, na B3. Após abrirem em queda acentuada e chegarem a recuar 15%, liderando as perdas do Ibovespa, os papéis inverteram o sinal ao longo da manhã e passaram a subir com força.

Perto das 12h, as ações já operavam no campo positivo, em um movimento que coincidiu com a realização da teleconferência de resultados com analistas e investidores. Às 13h37, os papéis avançavam 13,52%, liderando os ganhos do principal índice acionário brasileiro em um dia de perdas, com o Ibovespa recuando 0,44%, aos 178.854 pontos no mesmo horário.

A volatilidade ocorre um dia após a divulgação de um balanço considerado fraco pelo mercado. No quarto trimestre de 2025, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 29,1 milhões, revertendo lucro de R$ 167,8 milhões no mesmo período do ano anterior. Considerando ajustes, o lucro líquido foi de R$ 180,6 milhões, queda de 64,9% na comparação anual.

O desempenho foi pressionado, principalmente, pela piora da sinistralidade — que subiu 4,5 pontos percentuais, para 75,5% — e pelo aumento dos custos com atendimentos médicos, em meio à maior utilização dos serviços e à expansão recente da rede própria. A margem Ebitda também recuou, atingindo 9%, enquanto o Ebitda ajustado somou R$ 713,8 milhões.

Apesar do crescimento de 5,9% na receita líquida, para R$ 7,9 bilhões, a companhia perdeu cerca de 140 mil beneficiários no período, encerrando o trimestre com 8,7 milhões de clientes.

Hapvida revê estratégia após resultados fracos

Durante a teleconferência, mais cedo, a empresa reconheceu dificuldades operacionais, especialmente em mercados mais competitivos das regiões Sul e Sudeste, e indicou uma revisão de sua estratégia.

A companhia avalia fechar unidades ociosas ou migrar parte da operação para uma rede credenciada, em um esforço para melhorar a rentabilidade.

De acordo com o vice-presidente financeiro e de relações com investidores, Luccas Adib, a empresa tem revisado a ocupação de seus ativos e poderá ajustar a capacidade onde não houver justificativa econômica para sustentar custos fixos. A companhia também indicou que não prevê aberturas relevantes de novas unidades em 2026 e que os investimentos neste ano devem ficar entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões, com maior rigor na alocação de capital.

Ainda segundo a publicação, dos 145 mil usuários perdidos no trimestre, cerca de 120 mil estavam em São Paulo, evidenciando maior pressão justamente em mercados mais competitivos.

A companhia também confirmou a mudança na liderança, que já havia sido comunicado ao mercado no início do ano. Adib deve assumir como novo CEO no próximo mês, em substituição a Jorge Pinheiro, que seguirá para o conselho de administração.

Para 2026, a estratégia inclui retomada do crescimento, redução de custos e melhora da eficiência operacional, com foco maior na experiência do cliente e revisão da estrutura de despesas, incluindo possíveis redimensionamentos da rede.

Sequência de desempenho fraco

Na avaliação de Alexandre Pletes, head de renda variável na Faz Capital, o resultado negativo já vinha sendo parcialmente precificado pelo mercado, o que também pode explicar a reação das ações ao longo do pregão.

"O fato de não ter piorado tanto [o resultado financeiro], especialmente na linha de rede própria, pode ter sido visto como um ponto positivo. A reestruturação de liderança também pode ter impacto positivo no médio prazo", afirmou Pletes.

O operador, observa, no entanto, que o fato é que o resultado da Hapvida "não veio bom, assim como no terceiro trimestre". "Não há tanta motivação para uma alta tão forte. Mas a ação caiu muito mais do que o necessário anteriormente, então pode haver uma correção desse movimento. Foram dois trimestres ruins, mas ruins até certo ponto? O mercado pode ter visto isso agora", acrescentou.

A Hapvida registrou lucro líquido ajustado de R$ 337 milhões no terceiro trimestre de 2025, com alta de 4,1% na comparação anual. A cifra é 4,1% maior do que a registrada um ano antes e exclui da conta efeitos não recorrentes.

O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado recuou 2,1% na mesma base de comparação, para R$ 746,4 milhões. Em relação ao segundo trimestre, a queda foi de mais de 17%.

No ano, as ações da Hapvida já acumulam queda superior a 40%.

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