Para além do petróleo: guerra no Irã acende alerta para semicondutores
As ações de tecnologia na Ásia registraram quedas acentuadas nesta quinta-feira, 19, após ataques de mísseis contra o campo de gás de Ras Laffan, da QatarEnergy, no Catar, na quarta-feira, 18.
Na Coreia do Sul, SK Hynix e Samsung Electronics caíram 2,23% e 1,8%. Em Taiwan, a TSMC recuou 2,1%. No Japão, a Advantest perdeu mais de 4%, enquanto, em Hong Kong, Tencent e Alibaba também registraram quedas.
O ataque a instalações, somado à alta do petróleo, abalou o sentimento dos investidores e ampliou os temores de disrupções na cadeia global de semicondutores, de acordo com fontes ouvidas pela CNBC.
O consultor sênior de ações da Union Bancaire Privée, Vey-Sern Ling, afirmou à CNBC que os movimentos refletem, sobretudo, o conflito no Oriente Médio e a volatilidade do petróleo.
Embora a pressão inflacionária seja a preocupação imediata, analistas apontam riscos mais profundos ligados a insumos críticos.
Dependência do hélio
O Catar responde por mais de um terço da produção global de hélio, essencial para semicondutores e equipamentos médicos.
A interrupção de atividades da QatarEnergy eleva o risco de choque de oferta, sem substitutos viáveis no curto prazo.
A diretora para a Ásia-Pacífico da Fitch Ratings, Shelley Jang, alertou que interrupções em Ras Laffan podem gerar gargalos logísticos e atrasar a normalização do fornecimento.
Impactos no setor petroquímico
A instabilidade no Golfo também pressiona o setor petroquímico, base da produção de eletrônicos. O agravamento dos conflitos desestabiliza sistemas críticos da indústria.
"Os piores cenários para atrasos em fábricas de semicondutores podem levar a uma perda de receita de US$ 1,5 bilhão a US$ 3 bilhões e a impactos adicionais na produção", pontuou a analista de cadeia de suprimentos da Gartner, Cori Masters.
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