Colheita de soja chega a 51%, em ritmo mais lento desde 2020

Por César H. S. Rezende 10 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Colheita de soja chega a 51%, em ritmo mais lento desde 2020

A área cultivada com soja na safra 2025/26 do Brasil estava 51% colhida até quinta-feira, 5, ante 39% uma semana antes e 61% no mesmo período do ano passado, segundo dados da AgRural, consultoria agrícola, divulgados nesta segunda-feira, 9.

Entre os principais produtores do grão, o Mato Grosso entra na reta final da colheita. Segundo a consultoria, o estado já colheu 89,15% da área cultivada, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O avanço mantém vantagem em relação à média histórica para o período, que é de 81,99%.

Com isso, as atenções do mercado se voltam para as lavouras dos nas áreas de calendário mais tardio, como o Rio Grande do Sul e o Matopiba. Nessas regiões, as lavouras têm enfrentado condições climáticas contrastantes, marcadas tanto por falta quanto por excesso de chuvas.

Clima no radar

No Rio Grande do Sul, segundo a AgRural, produtores temem novos cortes de produtividade em função da estiagem que atinge o estado.

Além disso, a falta de diesel nos postos tem dificultado o avanço da colheita em algumas áreas, embora ainda não haja dados consolidados sobre a dimensão do problema.

No Matopiba — região que abrange partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — a situação é oposta. O excesso de chuva tem atrapalhado os trabalhos no campo e levantado preocupações sobre a qualidade dos grãos em parte das lavouras.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), nas áreas onde o plantio ocorreu mais tarde, a combinação de alta umidade do ar, solos encharcados e menor incidência de radiação solar favorece o surgimento de doenças fúngicas e aumenta a pressão de pragas.

Esse ambiente pode reduzir o potencial produtivo das lavouras e afetar o desempenho final da safra.

De modo geral, o cenário agrometeorológico no Matopiba indica que as chuvas recentes foram importantes para amenizar o déficit hídrico registrado em fases anteriores do ciclo da soja.

Por outro lado, o excesso de precipitações neste momento do calendário agrícola cria novos desafios. Além do risco maior de problemas fitossanitários, o volume de chuva também pode dificultar as operações de campo e atrasar o manejo das lavouras.

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