Com Anitta e Copa do Mundo, produtora brasileira projeta faturar R$ 66 milhões em 2026

Por Maria Eduarda Lameza 2 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Com Anitta e Copa do Mundo, produtora brasileira projeta faturar R$ 66 milhões em 2026

Para os empresários Felipe Britto e Melanie Chapaval, "ginga" é uma dessas palavras difíceis de traduzir, mas fáceis de reconhecer como brasileiras. Tem a ver com futebol e capoeira, mas também com jogo de cintura, flexibilidade e a capacidade de resolver problemas sem perder energia no processo. Foi esse significado que os dois escolheram para batizar a produtora criada entre o Brasil e os Estados Unidos. E é justamente esse jeito brasileiro de produzir que agora querem exportar.

É com essa lógica que a Ginga Pictures, produtora audiovisual fundada pelos dois há cinco anos, projeta faturar R$ 66 milhões em 2026, em um crescimento superior a 50% em relação ao ano anterior. O número, ainda não divulgado pela companhia, vem na esteira da expansão internacional da empresa, da entrada em projetos para plataformas de streaming e da relação com grandes marcas e artistas globais.

Um dos principais trabalhos recentes da produtora é ligado a Anitta. A Ginga assina a direção e produção dos videoclipes de "Equilibrium", último álbum da cantora, lançado em abril.

A parceria entre a empresa e a artista é antiga e já rendeu à produtora o MTV Video Music Awards (VMA) pela produção de "Funk Rave", feito que tornou a Ginga a primeira produtora com sócios brasileiros a conquistar o prêmio.

Felipe Britto e Anitta: bastidores das gravações de "Equilibrium" (Duh Marinho/Ginga)

Ponte Brasil-EUA

A Ginga nasceu da união entre a produtora que Felipe mantinha no Brasil e a operação de Mel nos Estados Unidos. A ideia inicial era atender clientes brasileiros que queriam filmar fora do país, especialmente nos Estados Unidos, mas enfrentavam barreiras de idioma, legislação, tributação e dinâmica de produção.

“A gente viu muita sinergia nos nossos objetivos e no nosso jeito de trabalhar. Juntamos nossos mercados para estreitar ainda mais essa ponte entre o Brasil e o resto do mundo”, afirma Mel.

A empresa cresceu apoiada em dois pilares. O primeiro é o de projetos mais curtos, como publicidade e serviços de produção para marcas e artistas. O segundo é o entretenimento, hoje um dos principais vetores de crescimento da companhia.

No streaming, a produtora já ampliou a relação com plataformas como Netflix, Amazon Prime Video e Disney. Um dos próximos lançamentos é "Várzea: Onde Nasce o Futebol", série documental da Netflix prevista para junho. A produção acompanha o universo do futebol de várzea e a Copa Pioneira de São Paulo, mas, segundo Felipe, "foi pensada como um formato replicável em outras cidades do Brasil e do mundo."

Marcas e artistas globais, mas estrutura enxuta

No portfólio, a Ginga reúne campanhas e projetos para Coca-Cola, Amazon Prime Video, Adidas, Netflix, TikTok e TV Globo, além de trabalhos com artistas como Karol G, Pedro Sampaio, J Balvin, Kevin O Cris, Maluma e Anitta.

A diversificação, segundo os fundadores, foi construída a partir de relacionamentos de longo prazo. “Mais legal do que o primeiro trabalho com eles é o segundo, é o terceiro, é fidelizar esses clientes", comenta Mel.

Na publicidade, a Ginga se posiciona como uma produtora capaz de atender a uma demanda cada vez mais fragmentada. O trabalho já não se limita a um filme para TV, envolve cortes para YouTube, vertical para TikTok, stories para Instagram, ativações presenciais e conteúdo para diferentes plataformas, muitas vezes gravados em poucas horas com atletas, artistas ou influenciadores.

Mesmo com o crescimento projetado, a empresa diz evitar uma estrutura inflada. O modelo é manter um time fixo menor e acionar equipes maiores conforme a demanda de cada projeto. “A gente acredita muito em manter uma estrutura enxuta. Então a gente não cresce o time enlouquecidamente mesmo com a escalada da empresa”, afirma Felipe.

IA como aliada e planos para 2026

O avanço da inteligência artificial também entrou no radar da Ginga, mas não como uma ameaça. “Vemos muita gente com medo da IA dominar e as produtoras e não existirem mais, mas, na Ginga, a gente vê a IA como um aliada”, diz Mel.

“Tem muita oportunidade na indústria e a gente usa a inteligência artificial a nosso favor, não para substituir os criativos que são parte do nosso time, mas para empoderar e dar ferramentas para essas pessoas fazerem coisas incríveis.”

Para 2026, além da projeção de R$ 66 milhões em faturamento, a companhia prepara uma nova sede em São Paulo, no bairro dos Jardins, com estações para até 150 pessoas e espaços voltados a roteiro, pesquisa e desenvolvimento. A ideia é criar um ambiente de circulação entre colaboradores, parceiros e produtoras com sinergia com a Ginga.

A expansão acontece em um momento em que a empresa mira também oportunidades ligadas à Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, e à Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil. Com operação entre Brasil e Miami, essa produtora com muita ginga aposta na combinação entre cultura brasileira, marcas globais e formatos audiovisuais exportáveis.

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