Com NR-1 no radar, academia já está no top 10 de benefícios: o que isso diz sobre o novo trabalho

Por Layane Serrano 29 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Com NR-1 no radar, academia já está no top 10 de benefícios: o que isso diz sobre o novo trabalho

O pacote de benefícios oferecido pelas empresas brasileiras está passando por uma transformação silenciosa, e cada vez mais estratégica. Em meio às discussões do Dia do Trabalhador, (movimento que lutou pela redução da jornada para 8 horas diárias) dados do Infojobs revelam que iniciativas ligadas ao bem-estar já começam a ganhar espaço relevante nas vagas de emprego.

Entre elas, o convênio com academias aparece pela primeira vez entre os dez benefícios mais oferecidos no país, presente em 19% das mais de 177 mil vagas analisadas no primeiro trimestre de 2026. O dado indica uma mudança no entendimento do que compõe a remuneração: mais do que salário e benefícios tradicionais, entra em cena a qualidade de vida.

Apesar desse avanço, o ranking ainda é liderado por benefícios clássicos. Vale-alimentação aparece em 88% das vagas, seguido por vale-transporte (50%), plano de saúde (33%) e seguro de vida (28%). Ainda assim, o crescimento de iniciativas voltadas ao cuidado com o corpo e a mente aponta para uma diversificação das estratégias de atração e retenção.

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Benefício deixa de ser custo e vira estratégia

A mudança reflete um novo tipo de pressão sobre as empresas. Nos últimos anos, temas como estresse, burnout e afastamentos por saúde mental deixaram de ser pontuais e passaram a impactar diretamente a operação dos negócios.

Nesse contexto, investir em bem-estar deixa de ser um diferencial e passa a ser uma resposta prática a um problema estrutural.

O RH, por sua vez, ganha um papel mais estratégico, menos focado em processos e mais voltado à sustentabilidade da força de trabalho.

“As empresas estão entendendo que qualidade de vida não é um tema paralelo ao negócio. Ela impacta diretamente indicadores como produtividade, engajamento e retenção. O benefício de academia, por exemplo, é um reflexo dessa nova lógica”, afirma Hosana Azevedo, gerente de RH da Redarbor Brasil, dona do Infojobs.

NR-1 amplia responsabilidade das empresas

A tendência também ganha força com a atualização da NR-1, que entra em vigor com novas exigências sobre gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

Na prática, isso significa que empresas passam a ter maior responsabilidade na prevenção de problemas relacionados à saúde mental e física dos colaboradores, incluindo sobrecarga, pressão excessiva e ambientes tóxicos.

Esse movimento ajuda a explicar por que benefícios ligados ao bem-estar começam a ganhar protagonismo. Eles deixam de ser apenas um atrativo para candidatos e passam a integrar uma agenda regulatória.

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Nova geração acelera mudança

Outro fator que impulsiona essa transformação é o comportamento das novas gerações no mercado de trabalho.

Profissionais mais jovens tendem a valorizar empresas que oferecem equilíbrio entre vida pessoal e profissional, além de condições que incentivem hábitos saudáveis. Nesse cenário, o convênio com academias deixa de ser um “extra” e passa a fazer parte da proposta de valor da empresa.

Da reação à prevenção

O avanço desses benefícios também revela uma mudança importante na forma como as empresas lidam com saúde.

Se antes a lógica era predominantemente reativa, com foco em planos de saúde e assistência médica, agora começa a ganhar espaço uma abordagem preventiva, baseada no incentivo a práticas que evitem problemas futuros.

É uma transição que aproxima o RH de áreas como estratégia e gestão de risco, ao mesmo tempo em que reforça o papel da cultura organizacional como diferencial competitivo.

O foco não está em “amar o trabalho”

Apesar do crescimento, o dado de 19% mostra que ainda há um longo caminho pela frente. A agenda de bem-estar no Brasil está em expansão, mas longe de ser universal.

No pano de fundo, o que está em jogo é uma redefinição do próprio conceito de trabalho, agora mais integrado à vida. Segundo Danilca Galdini, sócia-diretora de Pessoas & Cultura e Insights da Cia de Talentos, se por muitos anos o discurso dominante defendia que o trabalho deveria ser fonte de prazer, identidade e autorrealização, a edição 2025 da pesquisa Carreira dos Sonhos mostra um movimento estrutural.

“Os dados mostram que o trabalho deixou de ser a principal fonte de prazer, identidade e realização e passou a ser um meio, não mais um fim”, afirma Galdini.

O trabalho agora é visto como um instrumento para garantir:

“O foco não está em ‘amar o trabalho’, mas em trabalhar de forma sustentável para viver bem”, afirma a executiva.

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