Com R$ 1,45 bilhão, Frimesa avança em SP para disputar mercado de proteínas
A Frimesa, cooperativa de alimentos do Paraná, escolheu São Paulo como eixo de sua nova fase de crescimento para disputar o mercado de proteína — e a decisão não foi por acaso, afirma Elias José Zydek, presidente-executivo da empresa. “São Paulo é o maior mercado consumidor de alimentos do país”, disse o executivo nesta terça-feira, 24, durante evento da companhia.
Com faturamento de R$ 7 bilhões em 2025 — crescimento de 7% em relação a 2024 —, a Frimesa é composta por cinco cooperativas: Copagril, Lar Cooperativa Agroindustrial, Copacol, C.Vale e Primato Cooperativa Agroindustrial. Sua base produtiva reúne cerca de 2,5 mil agricultores entre produtores de leite e suínos.
Hoje, São Paulo responde por 2,5% das vendas da companhia, mas a meta é alcançar 4,5% até 2030. Com o avanço no estado, a projeção é de que o faturamento de 2026 chegue a R$ 8 bilhões.
A estratégia de avançar sobre o maior mercado consumidor do Brasil faz parte de um plano de investimentos que somou R$ 1,3 bilhão nos últimos três anos. Para 2026, a previsão é de mais R$ 150 milhões, totalizando R$ 1,45 bilhão.
“É um local que gera riquezas, tem consumo e, naturalmente, é aqui que as grandes empresas e os aumentos de produção devem se deslocar”, afirmou Zydek.
A iniciativa reflete uma mudança estrutural no posicionamento da cooperativa. Mais do que ampliar volume, a empresa busca se aproximar de um consumidor mais exigente e urbano.
“São Paulo está na ponta da modernidade do consumo, com alimentos prontos, sabores diferenciados e múltiplos canais de consumo”, disse. Segundo o executivo, essa leitura sustenta a decisão de fortalecer a presença no estado ao mesmo tempo em que amplia o portfólio.
A cooperativa, que já ultrapassou 500 mil toneladas de produção anual, vê no mercado paulista o espaço ideal para absorver sua nova capacidade produtiva.
Foco em proteína
A expansão territorial vem acompanhada de uma ampliação no portfólio. Com o avanço da agenda de bem-estar, a estratégia é apostar cada vez mais em produtos proteicos.
Mas não se trata apenas de vender proteína, diz o executivo — e sim de como entregá-la. A ideia é investir em produtos que reduzam o tempo de preparo e se encaixem na rotina atual do consumidor, especialmente o paulistano.
“Nossos produtos são à base de proteína animal. E a tendência de consumo é valorizar cada vez mais a proteína”, disse Zydek.
A aposta do executivo é respaldada por números. Dados da Mordor Intelligence mostram que o mercado global de proteínas registrou receita de 24,5 bilhões de dólares em 2024, com projeção de crescimento para 32,4 bilhões de dólares até 2029.
No segmento lácteo, a estratégia da Frimesa, segundo o executivo, é ampliar a oferta de produtos com maior teor proteico e versões com apelo funcional. “Temos produtos proteicos que hoje são muito consumidos e também a linha zero, que o consumidor está buscando: zero lactose, zero gordura”, afirmou.
Além dos lácteos, estão em desenvolvimento novos formatos de consumo de proteína. A iniciativa, diz o presidente, reflete uma disputa direta com outras fontes disponíveis no mercado.
“Estamos lançando uma barra de proteína à base de carne processada, com grande fonte proteica. A carne é a maior fonte de proteína, muito maior do que o whey protein”, disse.
A estreia dessa nova fase acontece justamente onde a estratégia ganha sentido: São Paulo, o maior mercado consumidor do país — e, agora, o principal campo de disputa da cooperativa.
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