Com R$ 6,5 bilhões em vendas, Nuvemshop aposta em IA e mira novo público
O e-commerce brasileiro cresce, mas a operação ainda trava em pontos básicos. Entrega, pagamento e atendimento concentram a maior parte das reclamações dos consumidores — e pressionam empresas que já vendem em volume.
É nesse cenário que a Nuvemshop, plataforma criada na Argentina e com o Brasil como principal mercado, reposiciona sua estratégia.
Em 2025, os lojistas da base movimentaram R$ 6,5 bilhões no país, alta de 35% em um ano.
A empresa agora mira um novo público: negócios de médio porte que já tratam o canal online como parte central da operação e buscam mais controle sobre dados, vendas e relacionamento com clientes.
“Temos que garantir que, no momento em que essas empresas decidirem reavaliar sua plataforma, a Nuvemshop seja a escolha natural”, afirma Alejandro Vázquez, cofundador da companhia.
A mudança vem acompanhada de uma aposta mais direta em inteligência artificial e em ferramentas que concentram toda a operação em um único sistema.
Da vitrine digital ao sistema completo
A Nuvemshop começou em 2011 como uma ferramenta para criar lojas virtuais. Antes disso, os fundadores tentaram montar um marketplace ligado a redes sociais.
A ideia não avançou, mas mostrou um problema: pequenos lojistas dependiam de desenvolvedores para vender online.
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A solução foi criar uma plataforma simples, em modelo SaaS, software como serviço, que desse autonomia para montar e operar uma loja.
Com o crescimento do e-commerce — que saiu de menos de 1% do varejo em 2008 para cerca de 15% hoje — a empresa ampliou o escopo. Passou a incluir logística, pagamentos e atendimento.
Hoje, reúne mais de 180 mil marcas e atende desde pequenos empreendedores até empresas que processam mais de 100 mil pedidos por mês.
Segundo Vázquez, essa expansão veio de um diagnóstico direto sobre o comportamento do consumidor.
“A gente identificou que 80% das reclamações não estavam na marca, mas em problemas estruturais como logística, pagamento e atendimento”, afirma.
Logística, pagamento e atendimento no centro
A resposta foi criar um conjunto de produtos próprios.
Na logística, o Nuvem Envio conecta mais de 30 transportadoras e usa software para definir a melhor rota de entrega. A operação inclui coleta diária e centros de distribuição.
Nos pagamentos, o Nuvem Pago já processa mais de 60% do volume transacionado no Brasil. O destaque é a carteira digital que permite compras com um clique em qualquer loja da plataforma.
No atendimento, a empresa investiu em inteligência artificial integrada ao WhatsApp. O cliente conversa com a marca, tira dúvidas e pode concluir a compra sem sair do aplicativo.
“Hoje, 70% das vendas no Brasil têm alguma interação antes. Se a empresa não consegue responder rápido, perde a venda”, diz Vázquez.
IA muda a forma de vender
A inteligência artificial aparece como peça central no novo ciclo.
Hoje, 72% dos lojistas da base já usam IA em tarefas como descrição de produtos, imagens e atendimento, segundo o estudo NuvemCommerce 2026.
A próxima etapa é usar IA para conduzir a venda.
“O consumidor não vai mais navegar em site filtrando produto. Ele vai pedir o que quer e um agente de IA vai resolver”, afirma Vázquez.
Esse modelo, conhecido como comércio conversacional, ganha espaço no Brasil com o uso do WhatsApp como canal de venda.
A empresa também permite que catálogos sejam lidos por sistemas como ChatGPT e Gemini, o que influencia a forma como produtos aparecem nas buscas feitas por IA.
Pix muda o fluxo de caixa
O estudo mostra uma mudança clara nos pagamentos.
O Pix passou a representar 49% das vendas, superando o cartão de crédito, com 45%.
O impacto é direto no caixa. O dinheiro entra na hora, sem prazo de compensação.
Ao mesmo tempo, o boleto caiu para menos de 1% das transações.
Menos volume, mais eficiência
Os dados indicam uma mudança no comportamento dos lojistas.
Em 2025, 28% não participaram de datas promocionais. A decisão está ligada ao aumento do custo de anúncios.
Em vez de tentar vender em todas as datas, as empresas passaram a escolher momentos com menor concorrência.
A Black Friday, por exemplo, deixou de ser um evento de um dia e passou a se estender por semanas.
Diferença entre quem começa e quem cresce
O estudo mostra dois perfis distintos.
Empresas menores enfrentam dificuldade para gerar tráfego e atrair clientes.
Já empresas em crescimento lidam com operação.
“Quando a empresa cresce, o problema deixa de ser vender e passa a ser executar”, afirma Vázquez.
Entre os principais pontos estão abandono de carrinho, custo de marketing e gestão do dia a dia.
Mid-market entra no foco
É esse grupo que a Nuvemshop busca com a estratégia atual.
A solução Nuvemshop Next, lançada em 2022, atende empresas com maior volume de pedidos e necessidade de integração.
A base inclui marcas de moda, beleza, alimentos e produtos pet, que dependem de recorrência de compra e relacionamento direto com o cliente.
“A diversificação mostra que o canal online deixou de ser complementar e passou a ser parte central do negócio”, afirma Vázquez.
Venda direta ganha espaço
Outro movimento é a migração para venda direta ao consumidor.
Hoje, 69% das empresas de maior faturamento priorizam a loja própria.
Marketplaces seguem relevantes, mas como canal de apoio.
A lógica é manter controle sobre margem e dados.
Quem está vendendo online
O perfil dos lojistas ajuda a explicar o crescimento do setor.
Segundo o estudo:
Além disso, 62% operam sozinhos.
Ao mesmo tempo, há aumento no uso de tecnologia para automatizar tarefas e reduzir dependência de equipe.
Brasil no centro da estratégia
Apesar de ter nascido na Argentina, a Nuvemshop concentra hoje a maior parte da operação no Brasil. Mais de 1.000 dos 1.500 funcionários estão no país.
A empresa também atua em México, Colômbia e Chile.
A meta é ampliar participação no mercado brasileiro, hoje em cerca de 2%, e chegar a 5% nos próximos anos.
“O Brasil ainda tem muito espaço para crescer. Quando a gente compara com outros países, o e-commerce ainda tem participação menor no varejo”, afirma Vázquez.
A estratégia combina expansão de produtos, uso de inteligência artificial e foco em empresas que já operam em escala.
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