Começa a COP15, das espécies migratórias, em Campo Grande

Por Letícia Ozório 23 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Começa a COP15, das espécies migratórias, em Campo Grande

Nesta segunda-feira, 23, começa a 15ª conferência da ONU sobre a conservação das espécies migratórias de animais silvestres, a COP15, que será realizada até o dia 29 de março em Campo Grande.

O evento vai reunir chefes de Estado e ministros para discutir a proteção de espécies que atravessam fronteiras terrestres, marinhas e aéreas, promovendo a conectividade ecológica e a preservação dos ecossistemas compartilhados entre países.

É a primeira vez que a Conferência é realizada no Brasil. A sua realização no Mato Grosso do Sul, que abriga 75% do Pantanal, não é coincidência: a região é considerada estratégica para a migração de espécies nas Américas.

Durante discurso no evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a região do Pantanal simboliza a riqueza natural da América do Sul e interdependência entre países, uma vez que suas faunas e floras atravessam fronteiras, por isso a realização do evento no Mato Grosso do Sul. "A Convenção sobre Espécies Migratórias nos lembra de uma mensagem simples, mas poderosa: migrar é natural. Ao cruzarem continentes conectando ecossistemas distantes, essas espécies revelam que a natureza não conhece limites entre Estados", disse.

Proteção do Pantanal - e da sua biodiversidade

No domingo, 22, às vésperas da abertura oficial do evento, autoridades globais já se reuniam em Campo Grande para o Segmento de Alto Nível da COP15. Durante o evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a ampliação de áreas protegidas no Pantanal e um nova unidade de conservação no Cerrado.

A Estação Ecológica de Taiamã passa de 11,5 mil para 68,5 mil hectares protegidos, enquanto o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense amplia sua proteção de 135,9 mil para 183,1 mil hectares. Ao todo, são mais 104,2 mil hectares que passam a ser protegidos. O impacto garante que a área protegida do Pantanal passe de 4,7% para 5,4%.

No Cerrado, a nova área protegida chega a 69,9 mil hectares nos municípios ao norte do estado de Mato Grosso do Sul. Segundo o governo, a ideia é conectar a área com os parques estaduais Serra Nova e Grão Mogol, ampliando a proteção de áreas estratégicas no bioma.

O presidente citou a onça-pintada em seu discurso, uma vez que o animal precisa de territórios preservados para circular pelo continente em busca de caça e locais seguros para reproduzir. "Como ela, todos os anos, milhões de aves, mamíferos, repteis, peixes e até insetos, atravessam continentes e oceanos. Essas jornadas conectam ecossistemas, preservam ciclos naturais e garantem o equilíbrio que torna a vida possível", afirmou o presidente.

Declaração do Pantanal

O Segmento de Alto Nível ainda marcou a adoção da Declaração do Pantanal, assinatura disponível aos 133 países participantes da COP15 que busca fortalecer o papel da Convenção como principal instrumento para garantir a conservação das espécies migratórias.

O material ainda convoca para a mobilização de meios de implementação de ações contra a perda de habitats, mudança do clima e outras ameaças aos biomas.

Ameaças aos biomas brasileiros

Ainda durante o Segmento de Alto Nível da COP15, a ministra do meio ambiente e mudança do clima, Marina Silva, afirmou que o Pantanal pode desaparecer até o fim do século se o autla ritmo de degradação ambiental persistir.

Segundo a ministra, as mudanças no padrão das chuvas, no aumento da evaporação e a frequência com que incêndios acontecem são alguns dos fatores que agravar a crise ambiental.

"Essa combinação de precipitação insuficiente, evapotranspiração e incêndios pode levar ao desaparecimento do Pantanal até o final do século", disse.

De acordo com dados do MapBiomas, o Pantanal já perdeu 15% da sua superfície hídrica, fator que tem se intensificado nos últimos 30 anos.

Na abertura da COP15, a ministra Marina Silva citou dado da Convenção de que 49% das espécies migratórias estão em declínio populacional, enquanto 24% já estão ameaçadas de extinção. "Fatores de pressão como a crise climática, a degradação dos ecossistemas, a perda de biodiversidade e a poluição impactam não só as espécies migratórias, mas também a segurança alimentar, a qualidade da água e o equilíbrio da vida no planeta", disse.

A ministra contou que ao longo dos próximos dias, o governo contará com a possibilidade de lançar uma mensagem ao mundo sobre o desenvolvimento e conservação e as possibilidades para gerar riqueza sem destruir o patrimônio natural.

O que são espécies migratórias?

Muitas das espécies sob discussão na COP15 são animais conhecidos e presentes no Brasil. Os mais conhecidos são a onça-pintada, o morcego-de-cauda-livre-mexicano e o falcão-peregrino.

Outras espécies também estão presentes no Brasil, como tubarões, arraias, parcela dos peixes de água doce, tartarugas, diversas famílias de espécies de pássaros, morcegos, baleias, pequenos cetáceos e alguns mamíferos marinhos.

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