Como a China construiu um gigante do sportswear longe dos holofotes

Por Marina Semensato 13 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Como a China construiu um gigante do sportswear longe dos holofotes

Por trás de algumas das marcas esportivas mais reconhecidas do mundo, existe um nome pouco conhecido fora da Ásia: a Anta Sports. A companhia chinesa tem escalado silenciosamente na lista do sportswear global e já ocupa o terceiro lugar entre as empresas do setor, atrás apenas de Nike e Adidas.

Com receita anual superior a US$ 12 bilhões em 2025 e valor de mercado estimado entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões em 2026, a Anta construiu um portfólio que combina marcas globais voltadas ao público esportivo. Tudo isso com uma estratégia baseada menos em marketing e mais em aquisições de nomes com grande herança esportiva.

Esse movimento acontece em um momento de expansão do chamado athleisure — segmento que mistura moda e esporte. Segundo estimativas da Fortune Business Insights, o setor foi avaliado em US$ 220,3 bilhões em 2025 e deve crescer para mais de US$ 400 bilhões até 2034, impulsionado pela popularização de estilos de vida ativos com a incorporação de roupas esportivas no cotidiano.

A mudança acompanha também o comportamento dos consumidores. Segundo um relatório do Business of Fashion, 84% dos consumidores americanos e 94% dos chineses consideram o bem-estar uma prioridade importante ou máxima.

Ao longo dos últimos anos, a companhia comprou e passou a desenvolver marcas tradicionalmente associadas à Europa ou aos Estados Unidos. Entram na lista Salomon, Arc’teryx e Wilson, controladas pela Amer Sports — conglomerado do qual a Anta é proprietária — além da Fila na China.

O CEO da Puma, Arthur Hoeld, afirmou ao BoF que a meta é recolocar a empresa entre as três maiores do setor até 2027. Para isso, a marca passará por um reposicionamento, que deve mirar segmentos premium.

A estratégia da Anta segue um padrão claro: adquirir marcas com tradição consolidada, manter sua identidade e ampliar escala por meio do mercado consumidor chinês, que é enorme. Em vez de competir apenas por preço, a companhia vai pelo caminho do reposicionamento e valor agregado, melhorando as operações e o caráter técnico dos logos sob seu controle.

O caso da Fila, por exemplo: a Anta comprou os direitos da marca na China em 2009 e a reposicionou como uma etiqueta premium de lifestyle esportivo. A estratégia aproveitou a nostalgia da marca para criar um negócio lucrativo e consolidar sua presença no athleisure.

Com o tempo, o portfólio passou a abranger diferentes nichos do esporte e do estilo de vida ativo — da performance em esportes de inverno a calçados e roupas para o dia a dia. Dessa forma, o grupo atende a diferentes ocasiões de consumo com marcas distintas.

É o caso da Salomon — historicamente associada ao esqui, a marca expandiu sua atuação para esportes de montanha e para o mercado de lifestyle esportivo. Uma das estratégias para essa virada inclui a abertura de lojas-conceito em locais emblemáticos, como a Champs-Élysées, em Paris, "promovendo sua expertise", segundo análise de LeRolland para o WWD.

O império silencioso da Anta também vem, em partes, do desempenho financeiro das subsidiárias. A Amer Sports registrou alta de 29,7% nas receitas no terceiro trimestre de 2025, alcançando US$ 1,76 bilhão, impulsionada pelas marcas Salomon e Arc’teryx.

A expansão internacional é outro pilar da estratégia. A Anta tem investido em vendas diretas ao consumidor, tanto via comércio eletrônico quanto via lojas físicas em mercados estratégicos, incluindo China, América do Norte e Europa. Hoje, o grupo opera mais de 7 mil lojas em diferentes regiões.

Ao mesmo tempo, a empresa tenta manter a identidade das marcas do portfólio, o que pode ser um desafio em conglomerados globais. No caso da Puma, por exemplo, a Anta criou um marca "programa de reset", iniciado antes da aquisição, para reorganizar a distribuição de produtos e estoques.

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