Como a escolha de novo líder supremo afeta o futuro da guerra no Irã?

Por Rafael Balago 10 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Como a escolha de novo líder supremo afeta o futuro da guerra no Irã?

O Irã nomeou, na noite de domingo, 8, Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do país. Ele sucederá seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, que foi morto por ataques de Israel e dos EUA há uma semana.

Mojtaba, de 56 anos, foi escolhido pela Assembleia de Especialistas, integrada por 88 membros. Após a nomeação, o preço do petróleo teve forte alta e superou US$ 120, pois a posse do novo líder demonstra que o Irã não pretende se render, como exige o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para cessar os ataques ao país. O líder americano disse que a escolha de Mojtaba era "inaceitável".

Nesta segunda-feira, 9, Trump reafirmou seu desagrado. “Não estou feliz com ele”, disse Trump ao jornal The New York Post em seu clube de golfe Doral, perto de Miami, quando foi questionado sobre seus planos em relação ao novo líder

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse na semana passada que qualquer sucessor de Ali Khamenei se tornaria "um alvo". Assim, a perspectiva é a de que o conflito será mais longo, sem que um final claro esteja à vista.

EUA e Israel esperavam que os ataques aéreos levassem ao colapso do regime iraniano, acusado pelos países ocidentais de apoiar grupos terroristas estrangeiros e de buscar uma arma atômica. Mas a nomeação indica que o fim do regime ainda é difícil de prever.

Nomeação reforça continuidade

A eleição de um novo líder, em uma semana, seguindo os procedimentos definidos pela Constituição iraniana, aponta que o regime segue funcionando, apesar dos bombardeios e dos protestos dos iranianos nas ruas, feitos antes dos ataques.

A escolha também aponta que o comando do Irã optou por um nome que sinaliza continuidade, o que pode reduzir as chances de um acordo com os EUA.

Mojtaba vinha, há anos, atuando junto com seu pai, Ali Khamenei. Nascido em 8 de setembro de 1969, na cidade sagrada de Mashhad (leste), Ele é um dos seis filhos do falecido líder supremo.

Ao impor sanções em 2019, o Departamento do Tesouro dos EUA indicou que Mojtaba Khamenei "representava oficialmente o líder supremo, embora nunca tenha sido eleito nem nomeado para um cargo governamental além de suas funções no escritório do pai".

O Tesouro disse, ainda, que Ali Khamenei "delegou parte de suas responsabilidades de liderança ao filho", que teria trabalhado em estreita colaboração com unidades da Guarda Revolucionária "para avançar as ambições regionais desestabilizadoras de seu pai e seus objetivos repressivos internos".

Opositores o responsabilizam por desempenhar um papel na violenta repressão após a reeleição do presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad em 2009, que provocou um amplo movimento de protesto.

Mojtaba tem forte ligação com a Guarda Revolucionária

O novo líder supremo serviu na Guarda Revolucionária, um dos exércitos do Irã, durante a Guerra Irã-Iraque, nos anos 1980. Agora, ele será o chefe da Guarda, que é classificada pelos Estados Unidos e por outros países como um grupo terrorista.

Analistas apontam que Mojtaba não teve uma carreira de destaque como especialista religioso. Ele estudou teologia na cidade santa de Qom, ao sul de Teerã, onde também deu aulas, e alcançou o título de "hojatoleslam", concedido a clérigos de nível intermediário, inferior ao de aiatolá, que era ostentado por seu pai e por Ruhollah Khomeini, líder da revolução de 1979. No entanto, após sua nomeação como líder supremo, ele foi apresentado como aiatolá.

Sua esposa, Zahra Adel, filha de um ex-presidente do Parlamento, também morreu nos ataques de 28 de fevereiro que causaram a morte do líder supremo e da esposa dele, segundo autoridades iranianas.

Segundo investigação da Bloomberg, Mojtaba Khamenei enriqueceu consideravelmente ao tecer uma extensa rede de empresas de fachada no exterior.

Apoio de aliados

Nesta segunda, países e grupos estrangeiros ligados ao Irã enviaram mensagens de reconhecimento ao novo líder, o que ajuda a aumentar a sua legitimidade internacional e a força do país para revidar os ataques.

"Gostaria de reafirmar nosso apoio inabalável a Teerã e nossa solidariedade aos nossos amigos iranianos", disse o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em uma mensagem. "A Rússia tem sido e continuará sendo uma parceira confiável. Em um momento em que o Irã enfrenta uma agressão armada, sua gestão nesta posição tão elevada exigirá, sem dúvida, grande coragem e dedicação", disse.

O grupo libanês Hezbollah jurou lealdade ao novo líder. Em comunicado, o grupo pró-Irã expressa "felicitações e bênçãos" ao novo dirigente por sua escolha. Também lhe jurou "lealdade" e "constância no caminho da lealdade".

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