Como a guerra no Irã tem potencial para aumentar ataques hackers no Brasil

Por Luiz Anversa 20 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Como a guerra no Irã tem potencial para aumentar ataques hackers no Brasil

O conflito no Irã vai se aproximando de sua terceira semana com o petróleo passando dos US$ 110 o barril, ataques à infraestrutura energética do Oriente Médio e opções militares cada vez mais incertas.

Além disso, outra frente de batalha pouco falada até agora pode ganhar tração: ataques hackers. E o pior: essas ações criminosas têm potencial para atingir o Brasil.

Em relatório divulgado à EXAME, a Apura, empresa brasileira de cibersegurança, identificou centenas de investidas em sistemas digitais de setores estratégicos. Brasil e América Latina por ora escapam, mas o levantamento adverte para riscos. A empresa vem monitorando os desdobramentos na cibersegurança desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

“O conflito bélico rapidamente se expandiu para o domínio cibernético, incorporando guerra digital às operações cinéticas, além de campanhas de hacktivismo, propaganda, contra-informação e censura”, afirma o documento.

De acordo com o especialista em cibersegurança da Apura, Anchises Moraes, o monitoramento identificou que, logo após a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel, grupos hacktivistas pró-Irã iniciaram uma campanha intensa de ataques contra alvos israelenses e norte-americanos, empregando técnicas conhecidas, como os ataques de negação de serviço (DDoS), a desfiguração de sites web (defacement) e, até mesmo ataques de ransomware, tipo de software malicioso que infecta computadores ou redes. Em paralelo, os países envolvidos fazem uso de um forte aparato de espionagem digital.

“O foco desses ciberataques está na infraestrutura, telecomunicações e setores financeiro e de defesa. Em um cenário envolvendo potências com histórico consolidado de operações cibernéticas complexas, o risco digital torna-se politicamente motivado, assimétrico, volátil e altamente imprevisível”, diz o especialista.

Brasil e América Latina

O estudo da Apura ressalta que, até o encerramento da primeira semana do conflito no Oriente Médio, não houve registros de ataques cibernéticos em alvos no Brasil e na América Latina. O risco, nessa região, é classificado como “indireto”. Setores como telecomunicações, energia, sistema financeiro, indústria de defesa, marítimo, aéreo, saúde e infraestrutura estão listados como eventuais riscos.

O relatório aponta que empresas e entidades governamentais são as que correm mais perigo - algumas de forma mais imediata, outras no médio prazo.

Os ataques nos primeiros dias da guerra

O documento destaca que, só nos primeiros cinco dias de conflito, foram registradas 149 reivindicações de ataques DDoS de grupos hacktivistas pró-Irã, visando 110 organizações distintas em 16 países. Os ataques foram realizados por 12 grupos diferentes. Além disso, grupos de outros países, incluindo Rússia, se uniram aos protestos online iranianos.

O relatório adverte para a retaliação cibernética iraniana contra alvos ocidentais, que já está em curso e pode se estender por um período de até quatro semanas. “Com a capacidade militar convencional sob ataque, o domínio cibernético torna-se o principal vetor viável de retaliação assimétrica do Irã”, aponta o estudo do Apura.

Maior conflito cibernético desde 2022

A ofensiva cibernética é aplicada também por Estados Unidos e Israel. “Aliás, este vem sendo o maior evento de guerra cibernética integrada a operações cinéticas desde o conflito Rússia-Ucrânia”, observa Anchises Moraes. O confronto europeu começou em fevereiro de 2022.

Segundo o relatório, operações cibernéticas precederam e acompanharam ataques aéreos, incluindo reconhecimento de alvos, disrupção de defesa aérea e operações de informação.

Um exemplo está no ataque com mísseis que matou o aiatolá Ali Khamenei, então líder supremo do Irã. O hackeamento de celulares e de câmeras de monitoramento de trânsito da capital Teerã pela agência de inteligência israelense permitiu mapear minuciosamente a cidade. Com isso, identificou padrões de movimentação e localização exata do líder e seus principais militares.

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