Como a Pipó transformou pipoca em um negócio premium no Brasil
O Brasil é o segundo maior consumidor de pipoca do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Durante décadas, porém, quase toda essa demanda foi atendida por dois formatos: o milho para preparo em casa e a pipoca de micro-ondas.
A ideia de vender pipoca pronta para consumo nas prateleiras de supermercado praticamente não existia no país. Foi nesse espaço que nasceu a Pipó.
Criada em 2013 pela empreendedora Adriana Lotaif, a empresa partiu da proposta de transformar um produto popular em um item premium. Em vez de competir com as pipocas baratas vendidas em saquinhos ou nas ruas, a marca apostou em sabores elaborados, ingredientes de qualidade e embalagens sofisticadas.
A estratégia funcionou. Hoje a Pipó está presente em redes de supermercados em todo o país, opera uma fábrica em Cotia, na Grande São Paulo, com 650 metros quadrados e emprega cerca de 40 pessoas. No último ano, a empresa registrou crescimento de aproximadamente 40% no faturamento, acompanhando a expansão da categoria no Brasil.
Adriana Lotaif transformou a pipoca de um snack comum em um item premium (Divulgação)
Construindo uma nova categoria
O lançamento da marca trouxe um desafio inesperado: o varejo não sabia onde posicionar o produto. “Quando comecei a pesquisar o mercado, percebi que o Brasil consumia muita pipoca, mas não havia pipoca pronta para consumo nas gôndolas”, conta Adriana. “Era uma categoria que simplesmente não existia.”
Segundo a fundadora, compradores de supermercados perguntavam se a pipoca deveria ficar perto do milho ou da pipoca de micro-ondas. A proposta da empresa era diferente. “Eu dizia que não era para colocar perto do milho. Era um produto para ficar próximo de chocolates ou importados, porque a proposta era transformar a pipoca em algo especial, que poderia até ser um presente.”
A primeira linha da Pipó chegou ao mercado em latas coloridas, pensadas tanto para consumo quanto para presente. A pipoca já vinha pronta e com sabores pouco comuns no Brasil, como pipoca trufada, curry com mostarda e caramelo com coco e noz-pecã. A estratégia ajudou a abrir espaço para uma nova categoria no varejo. Com o tempo, outras marcas passaram a disputar o mesmo mercado.
“Concorrência é um sinal de que o mercado faz sentido. Significa que existe demanda.”
Nos primeiros anos, a distribuição da Pipó estava concentrada em empórios e pontos de venda especializados. Para crescer no varejo, a empresa precisou ajustar o modelo. A solução foi lançar uma nova embalagem em formato de sachê. O produto manteve o posicionamento premium, mas com preço mais acessível que as latas.
A mudança abriu portas para redes maiores de supermercados e ampliou significativamente a presença da marca. Hoje a Pipó mantém um portfólio com 17 sabores e está presente em diferentes redes varejistas em todo o país, como GPA e Carrefour, por exemplo.
Adriana Lotaif, fundadora da Pipó, tem como sócia Fabiana Caporal, uma executiva com 15 anos de experiência na área de Desenvolvimento de Novos Negócios (Divulgação)
Parcerias que ampliaram a marca
Outro elemento importante da estratégia da empresa foram as colaborações com outras marcas. A primeira parceria surgiu em 2015 com a paçoca Amor. Desde então vieram projetos com marcas como Ovomaltine, Manteiga Aviação, Nestlé, Fini e Netflix.
“Quando duas marcas se juntam, cada uma empresta um pouco da sua força para a outra”, diz.
Mais recentemente, a Pipó lançou uma linha em parceria com a Turma da Mônica, a primeira vez que personagens aparecem nas embalagens da marca. Serão dois sabores: um de cebola e salsa, em homenagem ao Cebolinha, e outro de maçã do amor, para homenagear a Mônica. Ambas já foram lançadas e em breve chegarão a todos os pontos de venda.
Pipó e Turma da Mônica: a parceria que levou a pipoca gourmet para o universo infantil (Divulgação)
A Pipó agora tenta ampliar o alcance da marca. A nova assinatura da empresa, “do milho ao pop”, reflete a intenção de desenvolver produtos derivados do mesmo ingrediente. “Queremos expandir a marca para além da pipoca.”
Quase 15 anos depois da ideia inicial, o produto que era visto apenas como um snack informal se transformou em uma categoria em crescimento no varejo brasileiro.
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