Como aproveitar a baixa do dólar e planejar uma viagem para o exterior?
A recente queda do dólar frente ao real abriu uma janela de oportunidade para quem planeja viajar ao exterior. Nesta segunda-feira, 13, a moeda americana rompeu o patamar dos R$ 5 pela primeira vez em mais de dois anos, em um movimento que se estendeu no fechamento desta quarta-feira, 15, com o dólar fechando a R$ 4,99, o menor valor desde março de 2024.
Com a moeda americana em queda, o foco dos viajantes, de acordo com planejadores financeiros consultados pela EXAME, não deve estar em prever o próximo movimento do dólar, mas em como estruturar a compra.
A recomendação unânime é evitar apostas no curto prazo e optar por uma estratégia gradual. "Tentar acertar o timing é quase impossível, ninguém tem bola de cristal", afirma o planejador financeiro CFP e especialista em investimentos, Jeff Patzlaff. Segundo Patzlaff, o melhor caminho é diluir o risco.
"Divida o valor que você precisa em parcelas mensais ou quinzenais e vá comprando aos poucos. Se o dólar cair mais, você aproveita a queda; se subir, já garantiu uma parte mais barata".
Na avaliação de Carol Stange, educadora financeira, planejadora pessoal e consultora independente de investimentos, com mais de 15 anos de atuação no mercado, o ideal é começar esse processo com antecedência, entre três e seis meses antes da viagem.
"A cotação do dólar abaixo de R$ 5 representa um patamar historicamente favorável para aquisição da moeda. Mas a volatilidade inerente ao mercado cambial torna a tentativa de prever o 'fundo' uma estratégia de alto risco", diz Stange.
Qual a melhor forma de levar dólares em viagem?
Mas superada a questão do timing, outra dúvida entre os viajantes é sobre qual a melhor forma de levar dinheiro para o exterior.
Hoje, há uma mudança clara na preferência dos especialistas em direção às contas globais, que são empresas financeiras que oferecem carteiras digitais e cartões em moedas de vários países.
"Para as contas globais, os bancos digitais oferecem boas opções de conversão, com spread baixo e muita agilidade", afirma Bruno Mori, planejador financeiro CFP e membro da Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar).
Patzlaff vai na mesma linha e destaca o custo mais baixo. Mesmo com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) fixado em 3,5%, em meados do ano passado, o especialistas diz que o viajante paga o dólar comercial e um spread, a diferença entre o câmbio comercial e o cobrado pela instituição, reduzido. "É a forma mais inteligente e barata de levar dinheiro", diz.
Isso porque, na comparação, outras modalidades tendem a ser mais caras. O dinheiro em espécie, por exemplo, carrega custos adicionais e é baseado no dólar turismo, que gira em torno de R$ 5,20. "Disponibilizar a moeda estrangeira em espécie envolve uma operação mais complexa, com transporte, seguro e armazenamento. Por isso, a taxa de câmbio é mais alta", afirma Mori.
Já o cartão de crédito internacional, embora prático, pode esconder custos relevantes. Além do IOF, o spread aplicado pelos bancos pode encarecer significativamente a operação. "Os bancos ainda cobram spreads altos que podem chegar a 6%", diz Patzlaff.
Nesse cenário, entender o custo total da operação é essencial, e não apenas a cotação exibida. A recomendação é que o comprador utilize ao chamado Valor Efetivo Total (VET). "Um erro bem comum é focar apenas na taxa de câmbio nominal. O VET engloba todos os custos da operação e é o único indicador que permite uma comparação real entre opções", afirma Stange.
Ideal é combinar opções, dizem os planejadores financeiros
Com tantas alternativas, a conclusão dos especialistas converge para uma estratégia combinada tanto na compra quanto no uso do dinheiro. "Não é escolher um único meio, mas sim combinar opções para equilibrar custo, segurança e conveniência", resume Gustavo Moreira, planejador financeiro CFP e especialista em Investimentos.
Na prática, isso significa concentrar a maior parte dos recursos em soluções mais baratas e digitais. "Pensando em custo-benefício e praticidade, a maior parte deve ficar na conta global, que vai servir para a maioria dos gastos do dia a dia", afirma Patzlaff.
Ao mesmo tempo, há consenso também sobre a importância de levar uma reserva em espécie. "É importante sempre levar um pouco de moeda em espécie para o caso de o cartão não funcionar, ser roubado ou perdido", diz Mori. Já o cartão de crédito entra como um mecanismo de segurança. "Deve ser usado para emergências ou situações específicas, como cauções", afirma Moreira.
Para a especialista Carol Stange, a combinação ideal passa por distribuir os recursos entre conta global, cartão de crédito e uma pequena quantia em dinheiro vivo.
"Para otimizar custo, segurança e praticidade, sugiro a seguinte alocação: 70% em conta global (ou dólar cripto para os mais experientes), para a maioria das despesas diárias, aproveitando a cotação favorável. Outro 20% de limite em cartão de crédito, como um recurso de segurança para emergências e para as cauções de hotéis e aluguel de carros, e 10% em espécie para pequenas transações, gorjetas e como reserva para locais que não aceitam pagamentos eletrônicos", afirma.
"Como dica adicional, sugiro manter pelo menos dois cartões de diferentes instituições e uma pequena quantia em espécie guardada em local separado. Vejo esse cuidado como o pilar de um planejamento financeiro de viagem robusto", finaliza.
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