Como cientistas estão tentando tratar as 'células zumbis', que envelhecem a pele

Por Maria Luiza Pereira 23 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Como cientistas estão tentando tratar as 'células zumbis', que envelhecem a pele

O envelhecimento da pele pode estar mais perto de ganhar um novo inimigo científico. Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Boston anunciaram resultados considerados promissores envolvendo o medicamento ABT-263, uma droga senolítica capaz de eliminar células envelhecidas do organismo.

Como o ABT-263 age na pele envelhecida

O estudo foi divulgado pelo portal ScienceDaily e publicado na revista científica Aging. Segundo os cientistas, o tratamento conseguiu não apenas reduzir sinais ligados ao envelhecimento da pele, mas também acelerar significativamente o processo de cicatrização em testes realizados com pele envelhecida.

Os pesquisadores focaram nas chamadas células senescentes, conhecidas informalmente como “células zumbis”. Elas deixam de funcionar corretamente com o passar dos anos, mas permanecem acumuladas no organismo, provocando inflamação e prejudicando a regeneração dos tecidos.

Idosos (Jasmin Merdan/Getty Images)

A ciência do envelhecimento entrou em uma nova fase

De acordo com a equipe, o ABT-263 atuou eliminando essas células danificadas, permitindo que a pele recuperasse parte de sua capacidade natural de reparo. Em experimentos com camundongos idosos, a cicatrização avançou de forma muito mais rápida do que nos grupos não tratados.

Os resultados chamaram atenção principalmente pelo potencial clínico do tratamento. Feridas de cicatrização lenta representam um problema grave em idosos, diabéticos e pacientes imunossuprimidos, aumentando riscos de infecção e complicações hospitalares.

Tratamento ainda precisa passar por testes em humanos

Outro ponto considerado importante pelos pesquisadores foi a aplicação tópica do medicamento. Segundo a equipe, usar a substância diretamente na pele pode reduzir efeitos colaterais associados ao uso sistêmico do ABT-263, originalmente desenvolvido para tratamentos oncológicos.

Apesar do entusiasmo, os pesquisadores alertam que os resultados ainda são preliminares. Os testes foram conduzidos em modelos experimentais e novas etapas serão necessárias antes de qualquer aplicação ampla em humanos.

Ainda assim, o estudo reforça uma mudança importante na ciência do envelhecimento. Durante décadas, envelhecer foi tratado como um processo inevitável e praticamente impossível de reverter. Agora, descobertas como essa indicam que o corpo pode ter mecanismos biológicos capazes de serem reativados ou restaurados.

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