O que é a cultura 'jet ski' usada pelo iFood Benefícios para acelerar negócios com a IA

Por Layane Serrano 21 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O que é a cultura 'jet ski' usada pelo iFood Benefícios para acelerar negócios com a IA

“Você joga um monte de jet ski na água e fala: vai lá, vê se tem coisa boa. Se tiver, a gente até pode virar o transatlântico”. Foi assim que Arthur Freitas, sócio e CEO do iFood Benefícios, definiu a lógica de inovação adotada pela empresa diante do avanço da inteligência artificial, durante evento do Clube CHRO, da EXAME, realizado nesta terça-feira, 19, no Rio de Janeiro.

A metáfora faz referência à diferença entre grandes estruturas corporativas (comparadas por ele a um “transatlântico”, lento e difícil de manobrar) e pequenos times autônomos, rápidos e experimentais (que no caso seriam os “jet skis”).

Na prática, a estratégia consiste em criar pequenas células com poucas pessoas, altamente independentes e apoiadas por inteligência artificial, para testar novas ideias, produtos e modelos de negócio em velocidade acelerada.

“Se um desses experimentos mostrar potencial, aí sim a companhia direciona sua estrutura maior para aquela oportunidade”, afirma o executivo.

Segundo o executivo, a lógica é reduzir burocracia e permitir que profissionais mais seniores consigam construir projetos quase de ponta a ponta, com apoio de agentes de IA.

“As empresas vão rodar 10 vezes mais rápido”, afirma.

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A cultura empreendedora

Arthur defende que o avanço da IA não muda os valores da empresa, mas exige uma nova maneira de trabalhar.

Segundo ele, o iFood sempre teve uma cultura empreendedora, baseada em pessoas capazes de construir soluções rapidamente e assumir riscos.

“Eu sou fruto da cultura do iFood. Eu sou um intraempreendedor”, diz.

Uma das principais mudanças, segundo o executivo, está no modelo tradicional de organograma corporativo.

“Dificilmente eu vejo num futuro próximo as empresas ganhadoras tendo uma estrutura hierárquica convencional como a gente conhece”, afirma Freitas.

No lugar, ele acredita que surgirão cada vez mais os chamados “super ICs”, profissionais altamente autônomos, capazes de liderar projetos praticamente sozinhos, utilizando inteligência artificial como apoio operacional e estratégico.

“São pessoas que conseguem tocar a vida sozinhas”, afirma.

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Mais agentes de IA do que funcionários

O iFood já começou a colocar essa lógica em prática. Segundo Arthur Freitas, hoje a companhia possui mais agentes de inteligência artificial operando diariamente do que funcionários.

“Temos mais de 8 mil agentes rodando todos os dias, comparado aos 7 mil e poucos food lovers que temos”, afirma.

Esses agentes automatizam desde tarefas simples até processos inteiros de vendas e operação. Um dos exemplos citados pelo executivo foi o rastreamento logístico de cartões de benefícios, que antes exigia equipes inteiras e hoje pode ser resolvido automaticamente por IA.

Outro caso envolve a venda de benefícios para pequenas e médias empresas. Segundo ele, mais de 40% do volume comercializado pelo iFood Benefícios já passa por processos totalmente automatizados, sem necessidade de intervenção humana.

“Se a pessoa quiser falar com um humano, ela vai ter um humano. Mas ele vira quase uma pessoa terceira, que entra no momento que precisa entrar”, afirma.

O medo da IA dentro das empresas

Freitas também reconhece que a adoção da inteligência artificial ainda provoca insegurança nos funcionários.

“Existe uma incerteza enorme das pessoas para usar cada vez mais a IA, porque elas têm medo do incerto, medo de perder o emprego, medo de ficar para trás”, afirma.

Para acelerar a adaptação, o iFood passou a incentivar o uso constante de agentes de IA dentro da rotina de trabalho.

Segundo ele, o maior desafio não é mais tecnológico, mas cultural.

“No final das contas, a principal dificuldade vai ser garantir que as pessoas tenham aderência”, diz.

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“Encare os fatos brutais”

Durante a conversa, o CEO afirmou que empresas precisarão aceitar que a transformação provocada pela IA pode mudar completamente funções, estruturas e carreiras.

“Esse é um fato brutal”, afirma Freitas. “A gente precisa pensar em como deve testar esses novos modelos”, disse.

Para o executivo, o Brasil também precisa abandonar a “síndrome de vira-lata” quando o assunto é tecnologia e inteligência artificial.

“A gente pode e deve conseguir construir empresas do futuro alavancando tecnologia e nós estamos neste caminho”, afirma.

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